26/11/2013

A 5a semana ou As cólicas



A 5ª semana começou estranha. Eu estava muito serena e tranquila, confiante, feliz. Mas tive muitas cólicas, cólicas leves, mas que duravam o dia todo, mas laterais da barriga, bem embaixo. Claro que fiquei preocupada.
Eu planejava iniciar o pré-natal só depois da primeira ultrassonografia, após ver a implantação do embrião e tal. Já tinha marcado a ultra pra 8ª semana, mas ainda estava longe e essas cólicas me incomodaram um pouco.
Resolvi ligar para a Enfermeira Obstetra/Parteira que me acompanhará. Já nos conhecemos, sou aluna dela num curso e ela comemorou muito a gravidez e me tranquilizou. Falou que as cólicas são normais e que é por causa da implantação do embrião no útero, que todo o tecido uterino fica diferente e em algumas pessoas fica bem dolorido. Ufa, que bom!
Eu tinha uma viagem marcada há meses: uma grande amiga ia ter seu bebê e eu marquei minha passagem para a DPP dela, mesmo sabendo da incerteza do nascimento. O bebê nasceu 1 dia antes da minha chegada, parto natural, lindo, ótima recuperação.
Os enjoos começaram, de leve. Se ficava de estômago vazio, não sentia fome, mas enjoo. Qualquer coisa doce me parecia intolerável, logo eu que sou viciada em doces e não fico 1 dia sem beliscar alguma coisinha.
Senti também um pouco mais de cansaço, de maneira geral. Uma necessidade de descansar, de diminuir o ritmo.
Foi muito interessante acompanhar uma recém-parida estando grávida. Uma sensação muito bonita de aprendizado. Já tinha acompanhado pós-parto das minhas 3 irmãs, mas todas tiveram seus filhos por cesariana. Fiquei encantada com o pós-parto de quem passou por um parto natural, sem intervenções, sem nem ter laceração.
Minha amiga estava bem, alegre, sem dores. Percebi nela uma grande vitalidade, muito diferente de uma recuperação cirúrgica, onde mal se consegue manter a postura ereta e levantar da cama é torturante. A barriga dela ficou muito pequena, achei impressionante! Quase normal, só um pouco molinha. Óbvio que ela estava cansada, o início da amamentação não é fácil, é dolorido, as noites são exaustivas, mas o semblante dela era outro. De prazer, de vivacidade. Mais um ponto a favor do parto natural!
O bebê era lindo e sereno e gordinho. Curti demais. Mas algo me chamava de volta pra casa. Uma saudade do ninho, do meu companheiro, da minha casa. Uma vontade de reclusão, de estar comigo mesma. Uma outra amiga fez um trocadilho perfeito: vontade de ficar chocando. E foi isso mesmo.
Gastei algumas muitas Dilmas e antecipei a passagem. Ao invés de ficar 1 semana fora, fiquei menos de 4 dias.
Foi a melhor decisão que tomei...porque a 6a semana não foi moleza, não!

22/11/2013

A 4a semana ou A desconfiança ou A alegria

E a 4a semana é a primeira, na verdade, de gestação, né! Porque uma gestação se conta a partir da data da última menstruação, mas sabemos que não engravidamos junto à menstruação. Logo tudo começa na 4a semana!
Aqui foi assim: a menstruação prevista para o dia 22/10, mas até então poderia atrasar uns dias sem significar nada.
Na madrugada do dia 22 para o dia 23 (quarta para quinta) teve uma grande ventania em alguns bairros do Rio, inclusive o que moro. Acordei de madrugada com portas batendo, os vidros da janela vibrando, o vento uivando. Levantei e fui tirar minhas plantinhas do parapeito, para evitar que caíssem com o vento, fechar as portas para não baterem.
Voltei pra cama no automático e deitei de bruços. Não aguentei! Uma sensibilidade imensa nos seios, doeu muito deitar de bruços. Uma coisa na barriga, uma sensibilidade diferente, parecia inchada...Sorri! Pensei, será? Não costumo sentir isso na TPM, coisa estranha...
Dia seguinte, tudo normal...mas a menstruação não veio. Tomei a decisão: se não vier até sexta-feira, farei o teste de xixi que eu tinha guardado.
Sexta-feira chegou e nada. Levantei antes do despertador e fiz o teste: uma linha muuuuuito fraquinha. Fiquei com medo de estar vendo coisas! Fui até o quarto acordar o marido e fazer a surpresa que planejei:

Dei esse body pro marido, assim que ele acordou. Ele achou o máximo, mas não entendeu que era o positivo! Quando eu falei, vibramos muito, mas ele ainda estava custando a acreditar.
Fiz o exame de sangue e estava lá, positivo. Saímos pra jantar pra comemorar e foi uma delícia, só alegria!!!
No final de semana contamos às famílias (pais e irmãos) e pedimos discrição até a primeira ultrassonografia. Recebemos muito carinho, foi uma delícia!
Resumo da 4a semana: só alegria!!!!

P.s.: O body é de uma loja virtual maravilhosa, a Marré deci. A dona é a Marina, um amor, sempre solícita nos emails e muito carinhosa. Uma mãe empreendedora que vale muito a pena apoiar. E para os nerds (como nós aqui de casa) é um prato cheio...muito Star Wars, Star Trek, rock e coisas bacaninhas.
Esta expressão, Bazinga, pra quem não sabe, é falada pelo Sheldon, do seriado The Big Bang Theory, quando consegue pegar alguém numa piada ou pegadinha!

21/11/2013

O Caminho até aqui - Parte II

Sendo assim, em Janeiro de 2013 parei de tomar anticoncepcional.
Como falei no texto Reflexões feministas - parte II, pela primeira vez me dei conta do mal que estava proporcionando ao meu corpo há tantos anos, sem qualquer reflexão, de forma automática, naturalizada e sem pensar nos efeitos. Eu e meu companheiro conversamos muito, ele também foi tocado com a oficina que participamos juntos em novembro passado e vinha notando as varizes em minhas pernas se reproduzindo ano após ano.
Decidimos que não era justo apenas um de nós sofrer todo o efeito deletério do medicamento, já que ambos não desejavam filhos naquele momento e, visando uma limpeza mesmo do organismo de tantas substâncias químicas, interrompi o uso e começamos a usar outros métodos para evitar a gravidez.
Passei a me observar: meu ciclo, meus hormônios, meu corpo, meu sangue. Tudo mudou. E para muito melhor. Para não dourar a pílula (com o perdão do trocadilho) a única coisa que piorou foi a acne. Tive acne na adolescência e após começar o uso do anticoncepcional ela reduziu para uma única espinha no período pré-menstrual. A bichinha voltou com tudo (pensava eu, logo vocês saberão mais sobre o assunto!). Mas comecei o tratamento dermatológico, com sabonetes e uma pomadinha, nada barra pesada para não voltar ao consumo frenético de medicamentos, o que controlou quase totalmente e fui sendo muito feliz fazendo as pazes com meus hormônios, me redescobrindo.
Fui a uma ginecologista obstetra conhecida por seus partos humanizados, fiz acompanhamento pré-concepcional. Tive grande melhora das terríveis enxaquecas que me acompanhavam por anos, fiz alguns exames de sangue, comecei a cuidar melhor da minha alimentação, comecei a fazer exercícios e o ano de 2013 foi passando com grande alegria e serenidade.
Em agosto, tiramos férias, visitamos amigos que não víamos há anos, vimos como é uma casa com um bebê, a importância da parceria do casal, porque a rotina é punk! Aprendemos um pouco sobre consumo (desenfreado e consciente), sobre o que é necessário ou não numa casa com um bebê, onde vale a pena economizar, onde não vale. Nos divertimos muito, nos curtimos, realizamos sonhos.
Na volta da viagem, a decisão: vamos começar a tentar! A princípio seria em outubro o início das tentativas, mas voltamos tão empolgados que resolvemos antecipar. Mas sem falar para ninguém, sem nos cobrar, sem neura de período fértil, sem medicalizar e medir, sem pressão. Vamos simplesmente parar de evitar e ver, quem sabe é rápido, quem sabe demora...o tempo dirá.
No primeiro mês de tentativas, setembro, claro que achei que tinha engravidado. Tanto tempo evitando paranoicamente que demora a virar a chave! Fiquei mal quando vi que não tinha rolado, confesso! Conversamos bastante e obviamente eu sabia que era uma tremenda de uma neura boba, me reposicionei e bola pra frente.
Em outubro, pensei muito pouco no assunto. Decidi fazer a seleção pro Doutorado, estudei muito, me cansei demais, horas a fio diariamente sentada escrevendo projeto, resumindo textos pra prova, estudando espanhol para a prova de línguas. Aniversário do marido, aniversário de casamento, tudo comemorado meio correndo, sem muito planejamento, pois a energia estava voltada pra seleção que eu tanto queria passar.
O resultado do doutorado sairia dia 25/10, mas antecipou e saiu dia 24: não passei. Fiquei bem triste, mais pelo esforço "perdido" (pois sei que nenhum esforço ou estudo nunca é realmente perdido) do que por não ter passado. A menstruação estava atrasada 2 dias, mas até então ela já tinha atrasado até 4 dias anteriormente, poderia não ser nada.
E foi dia 25/10 mesmo que saiu o resultado que eu tanto queria. A seleção tão importante, a da vida! Positivo! Foi muita felicidade!
Voltou com tudo a vontade de escrever, registrar, gritar por aí a alegria! E assim começamos nossa jornada...de passar a ser dois em um corpo só. De um casal passar a ser três. Quem quiser acompanhar...é bem-vindo!

20/11/2013

O caminho até aqui - parte I

O primeiro passo efetivo rumo à minha maternidade se deu em novembro do ano passado.
Então que, como disse no segundo post, mudei de tema no mestrado e estou nesta de escrever sobre parto, eu que já lia muito sobre o assunto, mais por curiosidade e desejo de me preparar para o que viria, num futuro até então incerto.
Com esta linda desculpa, me inscrevi no 21o. Encontro Nacional de Gestação e Parto Natural Conscientes, esse evento de nome pomposo que recebi a divulgação em meu email. Fui lá ver qual era, aprender, ouvir, conhecer pessoas.
O encontro era numa sexta, sábado e domingo aqui no Rio de Janeiro, num auditório simplesmente lindo, janelões abertos, luz natural entrando, um clima bem diferente dos novembros cariocas, onde os aparelhos de ar condicionados gelam todos os lugares possíveis.
Resumindo: o Encontro foi tão intenso sexta e sábado, que não tive corpo para voltar domingo. Cada palestrante demonstrava tamanho respeito pelo tema, uma aposta tão profunda e verdadeira, uma militância na vida, que nunca havia presenciado em nenhum evento do tipo. Doulas, pediatras, enfermeiras, parteiras, acadêmicos...independente da via de ligação com a temática, todos estavam de tal forma imbuídos na preocupação de divulgar, informar e reproduzir um pensamento de respeito ao nascimento, ao processo de gestar, parir e cuidar, que me tocou profundamente. Revi minha relação com meus pais, meu processo de ser gestada, nascida (de cesárea eletiva) e cuidada, aprendi e refleti muito.
O público era muito variado, desde doulas que viajaram centenas de quilômetros, até casais, mães e pais, profissionais, crianças. Isto favoreceu o tema das palestras, sem aquele ar professoral tão presente em eventos, mas uma calorosa conversa, onde todos estavam em sintonia.
A partir deste evento, me senti realmente no caminho para poder também gerar. Me senti extremamente privilegiada por poder aprender tudo isso antes de estar grávida ou ser mãe, por ter tempo para processar essas informações e sentimentos sem estar atravessada pelo turbilhão de hormônios e medos que vêm junto com o filho.
Uma semana depois deste encontro, uma das palestrantes, inglesa, a Julie Garland, fez um workshop voltado para casais que pretendem ter filhos, baseado num programa que ela oferece na Inglaterra para este público. Basicamente ela fala sobre preparação física, emocional e até espiritual para o processo de gestar. Muitíssimo interessante. Fomos eu e meu companheiro, um pouco desconfiado, mas topando experimentar. Foram quase 10 horas de grupo de conversas, experiências e aprendizados e, para falar o mínimo, foi transformador. Fundamental!
Assim, em novembro de 2012, essa revolução teve início.
Do particular, privado, para o coletivo. O que esse aprendizado teve de importância para meu próprio crescimento pessoal, acabou se tornando tão grande que não coube e transbordou, teve que sair, pra atingir também outras pessoas.
Mudei de tema, conheci pessoas, me inscrevi em dois cursos de formação de doulas (com abordagens diferentes e igualmente maravilhosas).
Participei de um parto como doula voluntária numa maternidade pública aqui no Rio. Vi muita violência obstétrica, tanta que me impediu de voltar.
Agora acompanho 3 gestantes e seus bebês, ansiando apoiá-las num parto respeitoso.
Mas o principal foi a urgência em dar continuidade na preparação física e mental para gestar, mesmo sabendo que provavelmente ainda demoraria um ano inteiro para isso...

19/11/2013

O caminho até aqui - Introdução

Fato que é que sou mãe!
Ainda é estranho falar em voz alta, mas é verdade.
Após 2 meses de tentativas, o exame positivo. Que alegria!
São muitos blogs de maternidade, mas resolvi escrever aqui semanalmente como andam as coisas. Pouquíssimas pessoas sabem, logo, se você é um dos meus 3 leitores e me tem no facebook, peço que não comente nada por lá por enquanto.
São muitas estatísticas negativas..de 10 a 20% de todas as gestações são inviáveis e resultam em aborto espontâneo até a 12ª semana.
Claro que, otimista de carteirinha, tenho a certeza de que em julho haverá mais um flamenguista nesse Rio de Janeiro, mais uma pessoinha morena e muito amada, mas ao menos até dia 22 de novembro quando faremos o primeiro ultrassom e veremos o coraçãozinho pulsar, quero manter a discrição.
Sendo assim, gostaria de registrar todo o caminho até aqui.
São muitas lembranças, composições, construções para a minha maternidade, como escrevi no último texto.
Algumas, especialmente, acho importante ficarem registradas.
Hoje começo com uma lembrança de Julho de 1997, ano da minha primeira menstruação.
Neste julho, viajei para Cabo Frio com meus pais e ia muito à praia sozinha, para ler, pensar, coisas que sempre amei fazer. Numa dessas idas ao mar, barriga bem inchada e sensível indicando que a menstruação viria, alisei a barriga e pensei: que barato que deve ser estar grávida! Esta é uma das minhas primeiras lembranças de que eu realmente queria ser mãe, queria gestar um dia, num futuro. Eu tinha 13, quase 14 anos.
Lembro também de uma preocupação quando muitas amigas do colégio já tinham menstruado pela primeira vez e eu não. Eu sabia que para engravidar um dia era necessário menstruar e tinha medo de não menstruar nunca. Sempre me senti atrasada, que coisa doida!
Hoje percebo que não tinha nada demais, menstruei pela primeira vez com 13 anos e alguns meses! É que havia as meninas já com corpo de mulher, seios fartos, quadris largos já nessa idade e eu era tão magrinha, tão menininha, que temia nunca me sentir uma mulher.
Bom, neuras a parte, nada disso aconteceu! Menstruei sim e sempre regularmente, evitei durante anos uma gravidez indesejada, me preparei demais para gestar e cá estou, a cada dia com mais certeza de que quase nada prepara para essa deliciosa experiência.
Me pego quase sempre emocionada, geralmente lerda e burra, às vezes temerosa e preocupada...será? Será que irá tudo bem? O bebê crescerá bem e saudável? Será que é um só? Será que terei meu tão desejado parto? Será que seremos bons pais? Será que o dinheiro vai dar?
São perguntas que vem e vão, sem muitas neuras, mas que compõem esse novo estado em que me encontro. Amanhã continuo...

29/05/2013

A minha maternidade

Muitos assuntos que gostaria de escrever, mas sem muita iniciativa...até que um cartão da Lu, dizendo que gostava do blog, me animou.
A partir de uma conversa ao telefone ontem, pra variar reflexões sobre a maternidade, comecei a pensar em como está se constituindo a minha maternidade. Sim, é uma experiência única, singular, mas não individual, já que construída por minha relação com tantas mães ao meu redor.
Ainda não sou mãe, digo ainda pois pretendo ser em breve. Mas percebo que minha maternidade começou com minhas primeiras lembranças, que eram de um corredor escuro, quando eu acordava no meio da noite, saía do quarto que dividia com minhas 3 irmãs e ia me deitar com minha mãe, na cama dos meus pais. Essa experiência, de ter sido sempre acolhida no meio da noite, esse aconchegar na cama quentinha, agarradinha com ela, sem nunca ter sido mandada de volta para minha cama, constitui a minha maternidade.
Com 8 anos fui tia, minha irmã teve um bebê e durante um tempo moramos todos juntos. Minha mãe ajudava a cuidar do bebê enquanto minha irmã trabalhava, sem usar mamadeira para não comprometer a amamentação. A inesquecível cena da minha sobrinha, ansiosa, apressada, abrindo os botões da blusa da minha irmã para mamar, seja com 6, 10, 15 ou 20 meses, e mamar ao seio esticando a mãozinha para ser beijada, constitui a minha maternidade.
Em uma festinha de aniversário de um ano da filhinha de uma amiga, conversamos sobre cansaço e a conciliação da vida profissional e a maternidade. Minha amiga comenta que a filha acorda cerca de 3 vezes por noite e ela entende que isso é para estar junto com ela, já que passam todos os dias, de segunda a sábado, separadas enquanto trabalha. Eu insinuo que isso deve ser bem difícil e cansativo, ao que ela, com um imenso sorriso, me diz que adora, pois ela também sente muita falta da filha e se o encontro delas por enquanto é noturno, durante a amamentação, foi o possível e ela aceita. Este sorriso constitui a minha maternidade.
Não são cenas idealizadas, longe de associar maternidade a sacrifício, mas refletem escolhas de determinadas maneiras de se relacionar com o filho, seja bebê ou criança, jeitos de maternar que me são inesquecíveis, e que pretendo seguir.
Acolhimento, afeto, amamentação, encontro, carinho, saudade...palavras que creio serem bem importantes nesta relação mãe-filho, que já experimento como filha e imagino como será do outro lado.
A correria deste moderno jeito de viver coloca estes conceitos à prova o tempo todo, com Super Babás e Desencantadoras de Bebês que pregam a manipulação de seus pais pelos filhos, estimulam o "deixar chorar", o leite artificial, a aparente felicidade da mãe em primeiro lugar. Digo aparente pois não creio que uma mulher ficará feliz ao fechar a porta e deixar seu filho chorando.
Acredito em relações, equilibradas, sinceras e sólidas, encontros bons, que trazem alegria e segurança. Sou contra mentiras, manipulações e adestramentos, em quaisquer relações, principalmente onde um é superior em idade, altura e experiência, como no caso da maternidade.
Longe de ideais cosméticos, com altas doses de realidade e amor, assim venho construindo minha maternidade.

01/02/2013

Reflexões feministas - Parte II: Saúde Reprodutiva

Não tenho a intenção de abordar neste texto toda a complexidade das muitas questões que envolvem a saúde reprodutiva, mas começo dizendo que pessoalmente acredito que essas divisões são meramente teóricas e tem o objetivo apenas de organizar o imenso campo de estudo que é a saúde humana. Já trabalhei na área da Saúde Mental, Saúde Pública, estudo Saúde Coletiva (qualquer dia podemos falar sobre a leve diferença conceitual entre as duas últimas) e me aventuro a escrever uma dissertação sobre Saúde Reprodutiva.
Muito se falou sobre o assunto das pílulas anticoncepcionais ontem e hoje, por conta da proibição da comercialização de um determinado anticoncepcional de um gigante laboratório, ocorrida na França. Para quem não acompanhou, a proibição ocorreu devido à associação de 4 mortes de mulheres por problemas vasculares ao uso do contraceptivo.
Obviamente quaisquer medicamentos tem seus efeitos colaterais e cabe ao médico, ao prescrevê-los, primeiramente pesar se os benefícios de tal prescrição supera os riscos e, após prescrever, orientar e alertar seu paciente sobre tais riscos, para que este possa decidir se irá ingerir ou não o remédio.
Uma outra questão é o que o surgimento dos contraceptivos significou na vida das mulheres, um grande avanço na direção da liberdade sexual e reprodutiva, creio não precisar me alongar muito nisso.
Entretanto, vejo adolescentes cada vez mais jovens iniciando o uso contínuo da pílula anticoncepcional, como eu mesma, que tomei nos últimos 11 anos ininterruptamente.
Os benefícios são muitos, além de evitar a gravidez, diminui a oleosidade da pele, os desconfortos pré-menstruais, a possibilidade de micro-cistos nos ovários. Mas tem o risco de prejuízo da função hepática e, mais frequentemente, os problemas vasculares. Esse infográfico foi publicado pela Folha de São Paulo e explica bem, fora isso todo mundo que toma anticoncepcional ou conhece alguém que toma vê aquelas micro-varizes, linhas finas roxinhas que se proliferam ano após ano nas pernas (e mesmo em outra partes do corpo). Quem fuma, aumenta muitíssimo o risco de doenças vasculares. Ok, tudo isso está na bula, mas será que estamos realmente assumindo esses riscos a partir de uma reflexão, ou estamos tomando pílula já que todo mundo toma e não precisaremos daquela conversa chata sobre o uso da camisinha feminina ou masculina com nossos parceiros?

Temos que realmente pensar como um efeito contraceptivo que é interessante ao casal prejudica a saúde apenas da mulher. O fato de não querer engravidar se torna muito mais importante do que cuidar da saúde de um integrante da relação. Acho que isso dá o que pensar, como em nossas mínimas práticas a saúde do homem vem sim primeiro do que a saúde da mulher. Além disso, é muito lugar comum culpar a mulher quando a gravidez indesejada acontece "ué, porque não tomava pílula?" ou "foi ela quem esqueceu de tomar a pílula", chegando ao cúmulo de já ter presenciado uma nova regência verbal "ela engravidou-se", como se o ato de engravidar ou de evitar a gravidez fosse responsabilidade apenas da mulher.
Enfim, não tenho a pretensão de esgotar o assunto e sim de provocar a reflexão, muito menos pretendo demonizar o uso dos anticoncepcionais. Mas aposto nas escolhas informadas, pensadas e questionadas e creio que não é isso que vem acontecendo quando logo no início de uma relação uma jovem de 17 anos vai até a farmácia comprar a primeira cartela de anticoncepcional. Em tempo, após quase 12 anos, eu não tomo mais pílula e tal decisão foi fruto de muita reflexão e conversas com meu companheiro, que concordou totalmente e agora participa ele também do ato de evitar filhos.
Pra finalizar, o que todo mundo já devia fazer, tomando ou não a pílula: USEM CAMISINHA!