01/04/2014

A 25a. Semana ou A dissertação



Como fiquei dois dias trabalhando direto como doula e outros 3 tentando me recuperar das fortes emoções e do cansaço, não deu pra finalizar a dissertação na semana anterior, que era meu plano inicial.
Peguei firme nesta semana, me dediquei bastante e nem acreditei: EU ENTREGUEI A DISSERTAÇÃO DE MESTRADO.
Não, não acabou ainda. Ainda não é a festa completa de final de mestrado. Mas foi um passo importantíssimo. Entreguei a primeira versão pro meu orientador. Ele fará sugestões de alteração, irá para um professor da universidade dar seu parecer e finalmente haverá a banca de defesa, onde terei 20 minutos para apresentá-la a 3 professores da área (sendo 1 obrigatoriamente de outra universidade). Aí sim estarei livre!!!!
Mas para mim, o mais difícil era esta primeira entrega, que eu estava temerosa de não conseguir fazer!
Agora posso ser só uma gestante! Estou trabalhando, levando a vida normalmente, mas só de não ter aquela coisa martelando na minha cabeça (o prazo, será que vou conseguir, ai que vontade de desistir, etc), me sinto mais leve. Quero pensar no enxoval, ir ao cinema, reencontrar minhas amigas...tanto que quero fazer antes da filhota nascer...
Nesta semana, após muito conjecturar e debater, definimos o nome dela: será Beatriz. Achei essa responsabilidade tão grande a até algo autoritária, a de dar o nome a alguém. Mas é preciso, né! Então assumimos a responsabilidade, conversamos muito e está definido.
Eu gosto muito de Clarice. Meu marido de Clarissa. Não chegamos num acordo. As segundas opções seriam Cecília ou Beatriz. Mas como o significado de Beatriz é "a que traz felicidade", foi o que faltava para batermos o martelo. E assim virá nossa filha querida, Bia, Bibs ou Biboquinha, segundo já a chamamos!
Ela segue mexendo muito, serelepe, sinto minha barriga tão esticada que nem sei como temos mais 3 meses pela frente com ela crescendo! Passo bastante creme e bola pra frente (literalmente!!!).

25/03/2014

As 23a. e 24a. Semanas ou O Primeiro Parto



Após as maravilhosas notícias de que gesto uma filha e de que ela está bem na minha barriga, a 23a. semana foi de alívio. Consegui escrever um pouco a dissertação, relaxar no carnaval, descansar. Ganhei uns presentinhos fofos de uma amiga. Ouvi também alguns comentários machistas, viu. Como algumas pessoas ainda acham que um filho tem mais valor que uma filha, né? Fiquei chocada, mas infelizmente não foi surpresa. Mas nada nada iria tirar minha alegria e serenidade, agora que sei que ela está bem, mexendo, serelepe e saudável!
23a semana foi só alegria, descanso e um pouquinho de estudo!



A 24a semana foi pura emoção. Primeiro quero mencionar que comecei a ver discretamente uma linha nigra, que ainda não está bem pretinha não, mas já começa a aparecer entre o púbis e o umbigo, muito interessante!
Depois é importante mencionar que peguei muito firme na dissertação, a ponto de eu realmente acreditar que vou conseguir terminar - o que eu ainda duvidava, confesso! Me entreguei de corpo e alma, escrevi cerca de 8 horas por dia!
E aí, no final da semana minha última gestante e amiga, que acompanho como doula, entra em trabalho de parto. Foram 47 horas de acompanhamento ininterrupto, muito cansaço, lágrimas, mas ver um parto, com o mínimo de intervenções, é a coisa mais linda desse mundo. Uma mulher guerreira e forte, um marido dedicado e companheiro, uma bebezinha loirinha e bochechuda, super saudável. Foi lindo!
Foi o primeiro parto que vi estando grávida e foi muito emocionante. O primeiro olhar do bebê para a mãe, uma cena que nunca sairá da minha cabeça. Imagino quando for a minha vez!
Mas veio a tona também a realidade. Parir não é fácil. É muito esforço físico, é dor, é desgaste! Num é só um mar de rosas não. Testemunhar isso também foi importante, para que minha escolha não seja romantizada ou baseada naqueles videos da internet que, editados e ao som de uma música linda, fazem o parto natural parecer um passeio.
O que é importante mencionar é: a fisiologia é perfeita. E isso é emocionante de ver. Ver como a cada contração a cabecinha se molda à vagina, vai distendendo a abertura para que não haja laceração do tecido (essa amiga não precisou de nenhum pontinho sequer, mesmo sendo pequenininha e parindo uma menina de 3,5 kg). A saída da cabeça numa contração, a rotação perfeita para que o ombrinho gire e saia de lado. A saída do corpinho. O choro, o bebê ficando rosado, vermelhinho, se oxigenando. A natureza é sábia, nosso corpo é perfeito e ver isso foi muito bonito.
E cansativo! MUITO cansativo. Mas valeu cada minuto das 47 horas que estive ligada nessa experiência.
Neste trabalho de parto, comecei a sentir as contrações de treinamento. Deu até um medo, visto que eu estava bem cansada, me alimentando pouco e dormindo menos ainda. Deu medo de algo fazer mal pra minha filha. Mas conversei com a obstetra que estava acompanhando o parto e ela explicou que a ocitocina fica circulando ali no ambiente, aumentada. Como meu útero está grávido, ele tem receptores e acaba sendo mais sensível à ocitocina do ambiente, que não faz mal algum. Neste dia e nos dias seguintes, em alguns momentos senti a barriga bem dura, uma bola rígida. Pouco depois voltava ao normal. Quem estiver passando por isso, a recomendação é só não ficar passando muito a mão na barriga neste momento (que acaba sendo nosso reflexo, né!), porque o útero ao ser estimulado acaba contraindo mais. Então, nada de preocupação, as contrações de treinamento são boas, são fisiológicas, Braxton-Hicks que as descreveu e as nomeou assim. Não sendo dolorosas ou ritmadas antes da gestação estar a termo, é só relaxar e evitar estimular muito o útero (seja alisando muito a barriga, seja se cansando demais).
Foi o primeiro parto dessa grávida aqui, mas não o último...

A 22a Semana ou Revelando



A semana da ultrassonografia morfológica. E da tensão, confesso. A vida se encaminhou de um jeito que eu estava sem trabalhar (por uma licença médica por causa do calor de 50 graus) e minha mãe veio passar uns dias comigo, em minha casa.
Providencial! Nem eu tinha noção do tamanho do desequilíbrio emocional que eu estava. Muito nervosa, ansiosa, chorosa. Precisando muito de cuidado e acolhimento. Meu marido trabalhando demais, alguns dias por mais de 12 horas, chegando em casa muito cansado, eu ficando muito sozinha e desamparada.
Uma confluência de acontecimentos fez com que minha mãe viesse, não foi nada planejado e por causa do meu estado emocional, não, foi um presente da vida mesmo. Minha mãe é um caso a parte. Somos muito amigas, ela é extremamente carinhosa e cuidou de mim como ninguém. Cuidado de mãe mesmo, de conversar, fazer comida, deitar junto, fazer carinho. Eu estava precisando demais.
No meio da semana fomos lá, fazer o exame. Eu daquele jeito, nervosíssima. Meu celular não parava um minuto. Whatsapp, facebook e mensagens de celular, todos querendo saber se era menino ou menina e me colocando mais nervosa ainda. Eu só queria estar no casulo e ver se o bebê estava bem, mais nada. Ainda tinha toda a satisfação social a dar, que saco!
Escolhi muito bem a médica que faria o exame, pois não queria ouvir piadinhas sobre minhas escolhas de parto. Quem fez foi uma médica humanizada aqui do Rio que eu ainda não conhecia pessoalmente, só de nome. Qual não foi minha surpresa quando vejo que ela tem a minha idade, bem jovem e alegre, perfeita para a ocasião.
Quando coloca o aparelho na barriga, aparece os fundilhos do bebê, bem a parte genital - o bebê estava de cabeça pra baixo e ela posicionou o aparelho na parte alta da barriga. Logo vi duas bolinhas na tela. Ela pergunta se temos preferência de algum sexo e eu só respondi que meu marido (e todo o resto do planeta) achava que era menino e que eu estava vendo ali as duas bolinhas (que imaginei serem os testículos, do alto do meu diploma em radiologia rs). Qual não foi minha segunda e maior surpresa da manhã quando ela diz: então todos erraram, que é uma MENINA. Aquilo ali são os lábios, é uma vulva ali! Fiquei assim:



Completamente CHOCADA! Gente, são 5 meses ouvindo TODOS os pitacos possíveis e imagináveis de que este bebezinho é menino. Do meu marido, da família, do pessoal do mestrado, das vizinhas, do povo que nem me conhece e na rua pergunta...pelos mais variados motivos: porque tive enjoo, porque estou cheia de espinhas, porque minha barriga é pontuda, porque eu estou bem magrinha, porque sei lá...porque é menino e pronto.
Até eu acreditei, acabei achando que era menino e me preparei para isso. O que eu não falei para NINGUÉM desde que pretendia engravidar é que meu sonho sempre foi ter uma filha. Quem me conhece há anos sabia disso, mas como nunca mais falei nada, o assunto caiu no esquecimento.
Eu nunca falei nada porque realmente a partir do momento que se faz a escolha de ter um filho isso passa a ser menos importante. Filho é filho e será amado, sendo menino, menina, sendo menino que quer virar menina ou vice-versa. Será educado e amado por mim da mesma forma. E eu acho que é o tipo de coisa que não se pode "querer". Se escolhe ter um filho e se roda a roleta. A vida dirá. Se terá os cromossomos no lugar, os órgãos, se será isso ou aquilo, não nos cabe mais escolher. A escolha é ter ou não ter filhos.
Mas na hora que a médica falou, me veio à cabeça tudo que sempre pensei. Em 1997 quando menstruei pela primeira vez e pensei que eu queria sim ser mãe, nas bonecas que brincava, no vestidinho que comprei em Salvador em 2008 para uma futura filha que eu tivesse...nossa, que sonho! Fiquei muitíssimo feliz!
Depois vieram quase 40 minutos de medições de órgãos e sempre após o silêncio da médica enquanto media, vinha uma exclamação: maravilhoso, que beleza ou coisas do tipo, indicando que estava tudo bem.
Que alívio! Parecia que 1 tonelada saía dos meus ombros, do meu peito. Saí da clínica como que renascida, o céu azul, tudo lindo, tudo alegre. Feliz demais pela saúde da filha e por ela estar aqui me habitando e me surpreendendo.
Relaxei totalmente, avisei a todos, curti um dia delicioso com minha mãe, comprei uma roupinha pra neném, para marcar o momento...ufa, bom demais!
465 gramas, coraçãozinho batendo a 145 bpm e minha menininha aqui, mexendo e pulando, saudável e aguardando o dia de vir pra esse lado de cá.
Felicidade define!

10/03/2014

As 20a. e 21a. semanas ou O medo



Na 20a. semana o armário e a cômoda que compramos foram entregues e montados. Nem acreditamos, foram 5 dias antes do prazo dado pela loja. Tão bom comprar e ficar satisfeita com o que se comprou, com o atendimento. Os montadores uns fofos, simpáticos, ágeis e corretos, gostamos muito.
Planejávamos iniciar a pintura do quarto neste final de semana, mas fomos surpreendidos pela montagem dos móveis - obviamente gostaríamos de ter pintado o quarto ANTES deles terem chegado, mas ficamos tão felizes com a entrega que nem nos abatemos. Compramos as tintas e uma lona bem grande para cobri-los e iniciamos a pintura. Escolhemos um tom azul bem clarinho, tom sereno e que gostamos muito, além de acharmos azul uma linda cor para ambos os sexos.
Fiquei fissurada na música Aquarela, do Toquinho e vendo o clipe nos encantamos com os desenhos. Como meu companheiro tem uma tia com incríveis dotes artísticos (pintura, desenho, artesanato), decidimos pedir a ela que fizesse uma pintura na parede, para que possamos cantar a música para o bebê. Encontramos com ela, conversamos e ela topou.



Desde o início, sempre desejei um quarto que fosse infantil, alegre, de criança. Não gosto de coisas muito pastéis e gugu-dadá, para bebezinhos, porque acredito que o quarto será, num primeiro momento, mais para guardar as coisas do que o bebê, visto que ele ficará a maior parte do tempo comigo, por causa dos meus planos de amamentação em livre demanda, que exige que o bebê esteja perto e não no cômodo ao lado. Sendo assim, o quarto deverá ser algo que dure anos, até que o bebê vire criança e possa desfrutá-lo e se sentir bem lá.
Ao mesmo tempo, desejávamos algo com um significado, algo bonito, mas lúdico e esta música foi perfeita. Me emociono muito ao ouvi-la e ao assistir o clipe, principalmente a parte:
"Um menino caminha e caminhando chega no muro
E ali logo em frente a esperar pela gente o futuro está
E o futuro é uma astronave que tentamos pilotar
Não tem tempo nem piedade nem tem hora de chegar
Sem pedir licença muda nossa vida
Depois convida a rir ou chorar
Nessa estrada não nos cabe conhecer ou ver o que virá
O fim dela ninguém sabe bem ao certo onde vai dar
Vamos todos numa linda passarela
De uma aquarela que um dia enfim
Descolorirá"



Atingimos a metade da gestação e um misto de saudade e ansiedade começou a tomar conta. Sim, passou bem rápido essa primeira metade, ao mesmo tempo que foram muitos dias de amadurecimento e reflexão.
Comecei a ficar MUITO nervosa com a ultrassonografia da semana que vem. Muito mesmo. Me deixei tomar pela sombra novamente. Preocupada, chorosa, calada, pensativa. Humor flutuante, hormônios tomando conta. Marido sofreu e foi compreensivo na medida do possível.
Menos mau que tivemos consulta com a Enfermeira Obstetra e ela já nos recebeu falando ser muito comum nesta fase da gestação os temores de se o bebê está bem, o medo de alguma anomalia e a neurose de que talvez não merecemos ser totalmente felizes. Obviamente desabei a chorar e fui maravilhosamente acolhida. Conversamos muito, trabalhamos os medos, ela conversou com meu companheiro para que ele soubesse como me apoiar e ter paciência para me compreender, já que ele é muito positivo e acha que eu deveria ser mais confiante.
Mas as sombras estão lá e de vez em quando elas surgem e tomam a cena. Bom é poder ser acolhida e cuidada nessas ocasiões. Como psicóloga, tenho a mais profunda certeza de que falar a respeito é fundamental e trabalhar esses medos falando deles e os exorcizando é muito importante para não sobrecarregar o sistema aqui!
Engordei 700 gramas desde a última consulta, mas ainda não atingi o peso que eu tinha quando engravidei (58kg). Estou com 56,7 kg. O altura uterina está 24 cm, 2 cm a mais que o esperado, mas sem problemas. Ouvimos o coraçãozinho no sonar e o bebê mexeu demais, escapava toda hora, foi lindo. Novamente a Enfermeira abordou o bebê com aquele carinho e respeito que me emocionam. Saí de lá flutuando!
No final de semana o quartinho ficou quase que totalmente pronto, só faltando os detalhes decorativos. Fiquei felicíssima! Entrar lá e saber que todas as coisas da pessoinha estão lá, guardadas com carinho, construindo também um lugar pra ela...muito bonito e emocionante.
E que venha a próxima metade!!!

06/03/2014

As 18a e 19a Semanas ou A delicadeza



Como já era de se esperar, deixei passar tempo demais e não lembro direito o que houve na 18ª semana. Senti mais vontade de comer o que eu gostava antes...doces, massas, bobagens. Confesso que manter os hábitos de grávida se sentindo tão bem é difícil, viu? Vontade de refrigerantes...besteiras em geral. Mas segui me controlando muito no refrigerante e pouco nos doces, porque o negócio é realmente gostoso.
O calor no Rio de Janeiro ultrapassou e muito os 40 graus e chegar ao trabalho com mega engarrafamentos num ônibus sem ar condicionado foi bem difícil.
Mas no geral, tudo muito bem! E a bolotinha caminhando pra lá e pra cá na barriga, bem de leve, geralmente de noite.



A 19a semana marcou o início de um novo projeto profissional, o grupo de apoio ao parto Maternidade Suave, que se reúne quinzenal e gratuitamente na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro. Fui convidada para coordena-lo, junto a duas amigas doulas e a primeira reunião foi bem nesta semana.
A reunião foi ótima, começou com o pé direito!
Realmente aposto na suavidade e na delicadeza para levar a vida, quando possível. A maternidade então, principalmente. Muitas cobranças, muitas regras aqui e acolá, muito julgamento. No ativismo do parto às vezes a mão fica um pouco pesada e informação e julgamento muitas vezes se confundem, o que não gosto. Essas duas amigas pensam de forma muito parecida e creio que conseguimos criar um espaço de discussão rico, repleto de informação, sem mitos, mas com suavidade e delicadeza.
Fiquei sem o marido e dirigi mais de 150 km sozinha, visitei meus pais, vi algumas tias, me senti bem, foi muito bom. Não gostei de dormir sozinha sem ele em casa, mas isso eu já não gosto mesmo.
Começou uma certa ansiedade para o ultrassonografia morfológica, que será feita com 22 semanas. Todos começam a perguntar (e perturbar) se espero um menino ou uma menina, enquanto eu só me preocupo se está tudo bem, se os órgãos estão todos no lugar, funcionando bem.
A barriga está bem grandinha, bonitinha, gravidez óbvia e comentada! Na rua, no transporte, todos perguntam, querem saber. Na grande maioria das vezes, demonstrando apreço e empatia. Algumas vezes com os infinitos pitacos...faz parte!

07/02/2014

A 17a. semana ou Carinho de dentro pra fora



Prosseguimos nos preparativos do quartinho e outras coisas do bebê.
Em agosto, viajamos pros Estados Unidos e trouxemos um carrinho e cadeirinha de carro. Não, eu não estava nem tentando engravidar, mas achei que valeria a pena trazer pelo preço, visto que as tentativas começariam logo após a viagem. Muita gente me chamou de doida e apressada, mas eu sempre respondia: mesmo se não conseguir engravidar serei mãe, pois adotarei um bebezinho e o carrinho será usado! Essa frase é verdadeira e dita de todo o meu coração. Adotaríamos uma criança caso eu não engravidasse e descobríssemos algum impedimento.
Sendo assim, nesta semana montamos este carrinho, que nunca tínhamos tirado do plástico, nem pra conferir as peças. Foi bem legal! Vimos o carrinho montado, tentei "pilotar", vi que sou bem ruim de roda, lemos os manuais, testei o peso dele - que era algo que me preocupava - fiquei satisfeita com a compra que fizemos.
O carrinho que compramos foi o Expedition, da marca Baby Trend. Não, não é nenhuma das marcas ou carrinhos que vemos sendo comprado por pessoas que vão fazer enxoval fora, nem nada disso. Fomos para os Estados Unidos visitar familiares e amigos, dentre eles um casal com um bebê de 1 ano e meio. Este era o carrinho que eles tinham, usavam desde que o filho nasceu, pau pra toda obra. Mesmo agora, com menino grande e muito pesado, o carrinho os atendia e muito bem. Seguimos a indicação e compramos, preço excelente, bom material. É esse aqui ó:



Ainda não usamos com um bebê, mas só de montar e desmontar em casa me pareceu uma ótima compra. Sim, tinham carrinhos bem mais bonitos e modernosos, marcas famosas, fiquei com muita vontade. Mas se tínhamos ótimas referências deste e o preço era bom, porque não? Trouxemos!
Fomos a Petrópolis no final da semana e compramos o guarda-roupas e a cômoda que pretendíamos. Até o final de fevereiro irão entregar. Bonitos, de madeira, preço pagável.
Fiquei muito feliz ao dar início aos preparativos das coisinhas do bebê. Ver que está tudo se encaminhando. Eu não queria desespero, nem deixar nada pra última hora. E eu sou especialista nisso, tudo meu é aos 45 do segundo tempo. Queria aproveitar as férias que terei no final da gestação para descansar e só. Queria tentar organizar o máximo de coisas possível ainda no segundo trimestre. Veremos até onde é viável este plano!

Mas o mais importante por último!!! Na consulta com a Enfermeira, ela nos ensinou como perceber os movimentos do bebê. Disse que muitas mulheres sentem até com 14 semanas, apesar dos livros dizerem que só dá pra sentir a partir das 20. Posicionou minha mão embaixo do umbigo, quase no púbis e disse que eu sentiria umas bolhinhas por ali, que seria o bebê, pra eu confiar em minha percepção que logo poderia sentir.
E foi na sexta-feira, dia 24/01, eu estava deitada no sofá, vendo TV com o marido. Coloquei a mão na parte baixa da barriga, como sempre, aquela coisa de alisar barriga que toda grávida adora. E senti, do lado esquerdo. Totalmente inconfundível. Nosso filho ou filha mexeu. Como uma bolinha que se move, como um carinho de dentro pra fora. Imediatamente chamei o marido e coloquei as pontas dos dedos dele apertando bem onde eu tinha sentido, do lado esquerdo e até ele sentiu, de tão forte que foi. Aquela bolinha andando pela barriga...é vida, é criança, é nosso.
Indescritível, emocionante. Como na ultrassonografia, só me restou ficar silenciosa e boquiaberta, tamanha emoção. Poder compartilhar, na mesma hora, com o marido foi tão lindo quanto, pois é no meu corpo, mas é nosso bebê!
Que semana boa, outro importante marco de nossa relação, conexão e aprendizado juntos. Agora te sinto, fisicamente, materialmente, pessoa querida que me habita, e é bom demais!

A 16a Semana ou A humanização do cuidado



Esta semana começamos a olhar as coisas do quartinho do bebê, muito de leve, para ter noção de preços e ideias.
Queremos comprar um guarda-roupas e uma cômoda, ambos de madeira de verdade - e não de MDF, compensados, modulados, essas coisas que duram menos em nossa opinião careta de montar casa. Foi difícil! Fomos em dois grandes showrooms de móveis (aqueles que várias lojas se agrupam e vendem os produtos) e não gostamos de nada. O que é bonito, ou é caro ou não é de madeira, o que é de madeira não é bonito ou não nos dá muita opção. Ficamos decepcionados, mas foi importante para ter noção dos preços e planejar o orçamento.
Eu gostei muito de sair com meu companheiro para ver essas coisas. Damos bem menos valor a decoração do quarto, etc, do que outros casais grávidos, mas poder pensar em algo que faremos para o bebê, como colocaremos os móveis, cores e afins foi muito bom, leve e gostoso. Essas materialidades, apesar de termos grande senso crítico com o consumismo desenfreado, são importantes também para dar lugar ao novo (a) membro da família, para pensarmos como será daqui a alguns meses. Acho que até para comprar um guarda-roupas cabe uma reflexão!!!

Tivemos também nova consulta com a Enfermeira Obstetra, a segunda da gravidez. Eu estava bem ansiosa, positivamente falando. E, claro, foi maravilhosa. Emagreci mais meio quilo, apesar de estar até bem barrigudinha e isto é reflexo de estar comendo bem menos no geral e muito menos porcarias particularmente. Eu realmente achei que as comidas de final de ano teriam me dado um quilinho a mais.
Agora lindo e inesquecível foi o momento em que ela foi tentar ouvir o coração do bebê. Ela nos explica que na 16a. semana o bebê já está com a audição desenvolvida, que é importante conversar com a pessoinha, pro pai sempre se aproximar e falar quando tiver vontade, pois ela já estará ouvindo. E aí ela mede o fundo de útero, nos ensina a diferenciar na barriga o que é útero e o que são os outros órgãos (é incrível, apertando a altura do umbigo, sentimos direitinho algo arredondado, diferente). Aí então ela se aproxima da barriga, tocando devagar e se apresenta ao bebê...chama ele de "amor" e pede desculpas, pois vai tentar ouvir seu coraçãozinho e apalpar e pode incomodá-lo. Nada "tatibitate", bobo não. Uma fala sincera, bonita, de uma profissional que carinhosamente se apresenta. Me emociono só de lembrar. Uma postura tão diferente, sabe? Entendo, em meu âmago, o que é cuidado, o que é acolhimento...

Quando eu fiz residência em saúde da família e mesmo durante o período que fui "só" uma trabalhadora da ponta do Sistema Único de Saúde, algo que sempre discutíamos, em textos, reuniões, congressos, seminários é o que seria acolhimento, cuidado acolhedor, humanização da assistência, como esses conceitos tão lindos nos textos se presentificariam na prática, no posto de saúde, com o usuário que procura o serviço. E nestes menos de 4 meses sendo uma cliente de pré-natal, sei qual é o sentimento de ser cuidada com acolhimento e humanização. E isto é tão, mas tão mais importante do que discutir via de parto, se cirúrgico, se natural, se agendado ou de surpresa.
Sem querer me alongar muito, mas em minha história de vida, já fui por 2 vezes duramente tratada por médicos, oftalmologistas no caso. Por duas vezes, uma aos 9 anos e outra aos 27 anos, médicos falaram pra mim, como se fosse qualquer coisa comum, que eu ficaria cega. Sem nenhum cuidado, de forma ríspida, desdenhosa, mal olhando pra mim. O primeiro ainda o fez em tom de piada. E, detalhe: não eram informações totalmente verdadeiras. Eram carregadas dessas "adivinhações" que alguns médicos amam fazer, do tipo "vai viver só mais 2 anos". Isto marcou muito a minha história, meu jeito desconfiado de receber qualquer diagnóstico...pois as pessoas exageram, erram e até mentem, muitas vezes sem se preocupar como ficará quem está recebendo esta notícia. E, nas duas vezes, eu procurei outro profissional, também médico oftalmologista, que se sentou ao meu lado e me explicou carinhosamente que não era bem assim, que cada um é de um jeito, que eu deveria ficar calma e me cuidar sim, mas sem me preocupar tanto com prognósticos.

Sendo assim, desejo do fundo do coração que todas as pessoas pudessem experimentar esta forma de ser cuidada, com atenção, com sinceridade, disponibilidade e empatia, ainda mais na gestação, momento de tantas inseguranças, medos, expectativas e sentimentos.

30/01/2014

A 15a Semana ou o Bem-estar



E como previsto pela Médica Obstetra na consulta que contei aqui tudo melhorou!
Nesta semana todos os incômodos passaram...já vinham passando nas últimas 3 semanas, uma coisa de cada vez, mas o bem-estar realmente se fez sentir nesta semana.
Me sentia muito bem disposta ao acordar, exatamente como antes de estar grávida. Nunca senti fome no início do dia, nunca fui louca por café da manhã. Mas sempre me senti muito bem de manhã e assim voltei a me sentir. Devagar, vai aparecendo uma fomezinha e quase todos os dias tenho comido uma maçã ao acordar, só para não ficar com o estômago vazio.
Aquelas enxaquecas doídas que eu vinha sentindo, fortes, pulsantes, principalmente do lado esquerdo da cabeça, praticamente desapareceram. As espinhas estão aqui, mas começaram a diminuir, ficando menos inchadas e inflamadas, mais espaçadas umas das outras. Tenho usado a pomada anti-acne diariamente, além do protetor solar.
O que resume mesmo esta semana é a sensação de bem-estar, que todos dizem que é típico do segundo trimestre da gestação. Sim, estou me sentindo ótima! E feliz, com a barriguinha apontando, fazendo planos.
Foi aniversário da minha mãe, passei um final de semana maravilhoso com a família toda reunida, minha sobrinha que mora fora, foi uma delícia. O calor estava de matar, passei a semana praticamente toda no ar condicionado e no sábado e domingo tomamos banho de piscina, fizemos churrasco, aproveitamos o que o verão tem de bom.
Senti que é muito importante ser cuidada, criar espaços para receber carinho e cuidado, o que na nossa rotina de vida tão corrida nem sempre conseguimos. Mas poder ficar com minha mãe, irmãs e sobrinha conversando, planejando, recebendo afeto, comendo coisas gostosas, me fez muito bem. Voltei pra casa renovada, feliz, pronta pros próximos desafios - no meu caso, conseguir terminar a dissertação e ficar livre do mestrado, podendo me dedicar à gestação em todo o meu tempo livre.
Sendo assim, duas lições aprendidas: tudo passa, mesmo que o mal estar esteja chateando, ele vai passar. E a importância do cuidado, do afeto, do acolhimento, neste processo de gestar.

27/01/2014

Pra não dizer que não fiz uma lista

Eu amo listas! Na faculdade meus amigos me conheciam pelos "top 5" hilários que eu era viciada em fazer.
Tenho 2 livros super legais pra quem curte listas: O livro das listas, da Editora Record e Os dez mais, que não me lembro a editora e nem achei a foto, mas é muito bacana também.



Como o primeiro trimestre acaba na 13ª semana, com a 14ª iniciamos o segundo trimestre sem nem comentar sobre este fechamento aqui no bloguito.
Nada melhor que uma listinha então para celebrar a passagem. Com comentários, claro!

Os cinco melhores momentos do primeiro trimeste

1. Aquele segundo em que eu vi a segunda listrinha do teste de gravidez aparecendo
Pra quem está tentando engravidar e já fez uns dez testes de gravidez antes, todos eles tendo aparecido apenas a primeira listra, ver a segunda listrinha surgindo, rosinha claro, discreta, é uma emoção sem tamanho. Parece mentira, parece que estamos alucinando, vendo coisas. Rola aquele minuto de ficar olhando mesmo pra ter certeza que, sim, é um positivo! Inesquecível.

2. Uma das primeiras noites em que o marido querido foi falar com o bebê e disse: "Luke, I´m your father"
Sim, somos nerds e adoramos a saga Star Wars e, por essa razão, chamamos nossa pessoinha carinhosamente de Luke ou Lea (os gêmeos que são os personagens principais da primeira trilogia). Para abreviar, o apelido do bebê é Luke. E caiu uma lágrima ao vê-lo assim, espontaneamente, reproduzindo um dos diálogos mais famosos do cinema. (É favor esquecer que o Darth Vader é um vilão, que cortou a mão do próprio filho, blá blá, o que importa é a lindeza do momento!)
Quem quiser saber qual a cena, está aqui. (a famosa frase está em 1:50)



3. Ver o bebezinho, formadinho, e ouvir o coração pela primeira vez, na primeira ultrassonografia.
Eu tinha o positivo em mãos, eu estava com milhares de sintomas desagradáveis que indicavam diariamente que algo muito importante estava acontecendo em meu corpo. O cansaço indicava que havia um grande trabalho sendo feito aqui dentro - uma vida, iniciando. Mas ainda precisamos dessa confirmação visual, que engraçado! Além disso, a curiosidade em saber se era um único bebê (vai que, né!) e se estava bem implantado, com o embriãozinho lá. E, ver este embrião, aquele formatinho característico de feijão, com o coraçãozinho tão minúsculo batendo, ouvir aquele ritmo...sinceramente, não há palavras para descrever. E o ineditismo da situação. Primeira gestação da vida dos dois, tudo novo, tudo inédito. Ah, que lindeza!

4. Ver o bebezinho já com todo o jeito de um bebê, inclusive se movimentando todo serelepe, na segunda ultrassonografia.
Desta vez não teve o ineditismo, não teve aquela novidade toda. Mas sim, foi desta vez que vimos a pessoinha parecendo uma pessoa toda formada, em miniatura. Mãos, coluna vertebral, costelas. O perfil, com testa nariz e lábios. Impossível não se emocionar inclusive no momento em que digito essas linhas. Era nosso, era lindo, estava lá. Nosso filho ou filha (que importa?) estava lá, nadando em seu espaço, inclusive brincando com as perninhas. Me emocionei muito, me senti muito grata e feliz por poder viver esta emoção nesta vida!

5. Acordar um belo dia e perceber o corpo completamente diferente, ao olhar no espelho.
Perceber a perfeição e beleza da natureza em ato, se atualizando em você, transmite uma confiança incrível. E a sensação é bem essa: apesar de todo o turbilhão de sintomas e emoções, as primeiras semanas de gravidez não trazem uma mudança visível, exterior, em nosso corpo. E de um dia para o outro você consulta o espelho e está lá: os seios diferentes, a barriga saliente. Essa primeira descoberta do quanto o próprio corpo está mudando foi bem emocionante.

Está registrado! O Top 5 primeiro trimestre.
Vambora pro segundo então!

21/01/2014

A 14a semana ou 2014



E foi na 14ª semana que o ano de 2014 chegou! Interessante, né! O ano do quê? Da minha maternidade, do meu mestrado, do meu parto...sem dúvida, será um divisor de águas!
Fiquei muito sensível, demais, por ter passado o ano novo longe da minha mãe e irmãs. Chorei um rio! Mas para estarmos juntos eu teria que pegar muito trânsito, engarrafamento, cidade lotada, dormir mal acomodada...mas mesmo assim eu queria estar perto! Se em termos práticos, estar com elas seria uma grande furada, era o que meu coração queria e pedia...mas não rolou. Então fiquei muito chorosa, tristinha, deprê.
Mas o ano novo foi muito bom, passei com a família do marido, descansamos muito, Sol, cachoeira, uma delícia!
A barriguinha saliente já dá uma sensação boa, de "grávida". Comecei a comer melhor, meu apetite se normalizou, o que estava me fazendo muita falta!
Comecei a sentir muita dor no seio. Umas pontadas bem dentro do seio, como se fosse na glândula. Fui ler a respeito e soube que é nesta semana que as glândulas começam a se preparar para produzir o leite e que algumas mulheres sentem dor, inchaço e até já pode sair colostro. Senti muita dor e os seios aumentaram bastante de tamanho.
Liguei pra Enfermeira que me acompanha e ela sugeriu fazer bolsa de água quente, 3 vezes ao dia, que era normal. É que a preparação das glândulas pode causar uma ligeira inflamação em algumas pessoas. Tem mulheres que tem até que tomar anti-inflamatório! Mas não foi meu caso. Fiz uma bolsa improvisada: enchi uma meia com arroz cru, dei um nó na ponta e colocava no microondas 40 segundos para esquentar. Ficou uma delícia! Macio por causa da meia e até o cheirinho do arroz era gostoso. Tive que improvisar pois era domingo e onde eu estava não havia farmácia aberta para comprar a bolsa. Deu certinho. Fica a dica pra quem precisar!
Me inscrevi no site Guia do Bebê para receber aqueles informativos semanais. Confesso que eu estava com uma certa resistência a esses boletins, acho meio pasteurizados, tipo: "você está sentindo tal coisa"...como se todo mundo fosse igual. Mas tive que dar o braço a torcer, pois foi lá que li que na 14ª que eu poderia ter dor no seio. Aí me inscrevi e estou achando legal, uma referência bacana de como está o bebê e tudo o mais. Basta lermos criticamente e termos a certeza de que cada um é um, né?
Para finalizar a semana, atendi um parto como doula voluntária e realmente tive a certeza de que estando grávida é muito mais cansativo. Ficarei só com minhas duas queridas gestantes até o final mesmo, nada de aceitar mais acompanhamentos, porque realmente é muito exaustivo! E quando temos vínculo prévio com a gestante é realmente diferente - não era o caso na situação desta semana, onde entrei só no momento do parto, sem ter tido um acompanhamento durante a gestação.
E que venha a 15a!

13/01/2014

A 13a Semana ou A Família



Após tantas delícias na 12ª semana, esta foi serena e de comemorações. Foi a semana do Natal. Estive com minha família, tanto pais e irmãos como também tios e primos que praticamente só vejo nesta fase do ano.
Tive um encontro com minhas duas amigas mais queridas do mestrado, uma delas está grávida de 9 semanas e tem sido muito bom poder compartilhar ideias e acontecimentos com elas.
Ganhei alguns presentes, inclusive umas roupas de gestante que amei, mas a pessoinha ganhou muito mais. Uma almofada de amamentação diferente daquele U que eu conhecia, muitas roupinhas, mamadeira...voltei pra casa com a sacola cheia!
Foi muito bom estar em família já com uma barriguinha, todos comentando, fazendo carinho e parabenizando. Me senti num mar de energia boa.
Nesta semana, iniciei o uso de creme anti-estrias. Pesquisei um pouco na internet a opinião de outras gestantes, pois estava inclinada em pedir aos meus parentes que moram fora para trazerem o creme Mustela para mim, mas achei o preço muito salgado. Neste post do blog Meu Parasita (blog que adoro diga-se de passagem!), a Carol deu a dica de um outro creme que custa muito menos do que o Mustela. Deixei um comentário lá, ela rapidinho respondeu e pronto, comprei por metade do preço do Mustela não apenas um, mas TRÊS potes do Tummy Butter for Stretch Marks, da Palmer´s. É esse aqui ó:



Pra quem não tem parentes para trazer ou não vai para o exterior, ele é vendido pelo ebay e entrega no Brasil. Como a Carol falou, ele é bem pesadão, fica a sensação de pele amanteigada, uma espécie de película mesmo onde você passa o creme. Eu tive dificuldade para usar no primeiro dia, pois achei ele muito duro. A partir do segundo dia, esfrego as mãos uma na outra, aquecendo-as, e consigo passar o creme tranquilamente (fica a dica!). No verão do Rio de Janeiro, confesso que quando está muuuuito quente eu não passo de dia, só antes de dormir. Fora isso, passo todos os dias na barriga, seios (sem deixar esbarrar nos mamilos, onde não se deve passar nada) e quadris, onde tive estrias na adolescência.
Além do auto-cuidado, que é muito importante, é uma delícia ficar alisando a barriguinha passando creme, poder se olhar diante do espelho e curtir o corpo mudando.
Essa foi a última semana inteira passada no ano de 2013...para encerrar, uma tirinha muito bonitinha que rolou no facebook. Não somente os bens materiais, que não são muitos, mas suficientes, mas esse ano merecia um imenso agradecimento geral, por tanta coisa boa que aconteceu!

10/01/2014

A 12a. Semana ou Tudo se encaminha...



Como disse no texto anterior, comecei a 12ª semana em outro clima (bipolar, eu???). Era uma semana muito aguardada. Faríamos a ultrassonografia de tranlucência nucal e teríamos a consulta com a Médica Obstetra que trabalha em parceria com Enfermeira Obstetra que está me acompanhando.
Queria ter feito a ultra antes da consulta, mas não consegui, pois marcar uma ultra aqui no Rio é uma missão quase impossível só conseguida com 1 mês de antecedência. Fui à consulta sozinha, por opção, pois eu queria trabalhar com a médica alguns dos medos que expus aqui e preferia fazer isso sem o marido presente. Como o horário e o local da consulta não eram muito bons pra ele, foi perfeito.
Fiquei muito impressionada com esta consulta médica. Foi a segunda vez que fui numa obstetra humanizada (visto que fiz meu acompanhamento pré-concepcional com uma também, maravilhosa, porém menos experiente), de onde saí mais feliz e mais confiante do que entrei.
Já cheguei de cara despejando minhas questões com hospital e cesariana, meus incômodos com enjoo, acne excessiva e um mestrado totalmente atrasado por falta de disposição. Ela começou falando comigo sobre o parto, sobre quais as indicações de cesárea e, principalmente, COMO é tomada esta decisão e realizada a cirurgia, nos padrões que ela considera ideais para a mãe e o bebê. Nem preciso dizer que o bebê não é separado da mãe (a não ser em caso de necessidade de UTI, reanimação, etc), não precisa rolar aquele período de "recuperação da anestesia", no qual algumas mulheres chegam a ficar 6, 8, 10 horas longe de seus filhos, o bebê não vai para berçário, a menos que eu queira, etc. Me explicou como se dá a avaliação de um parto complicado, que deve ser interrompido, conversamos sobre as mil complicações que me davam caraminholas na cabeça, enfim, foi redentor.
Conversamos também sobre valores e nossa (falta de) possibilidade financeira. Ela foi super aberta a negociar os valores, baseando-se no que o plano reembolsaria, visto que está dividindo o acompanhamento com a EO (que por eu ter mais vínculo e consultas mais frequentes, ficará com a maior responsabilidade no acompanhamento). Falamos sobre a Enfermeira Obstetra, que recebe muitas críticas de alguns meios aqui do Rio, mas que pelo vínculo e experiência foi com quem eu me afinei mais e em quem ela confia e não tem nada a dizer de sua conduta, sobre os incômodos da gestação (como disse antes, acne e enjoo que ainda persistem - e eu confesso que -me iludi- pensei que com 12 semanas tudo magicamente desapareceria). Enfim, foi importantíssimo, transformador, tranquilizador e tudo o mais de bom que, por mais que eu imaginasse que seria, nunca pensei que me trouxesse logo no primeiro encontro a tranquilidade que me faltava, a cereja do bolo, sabe?
E pra terminar, conseguiu escutar os batimentos cardíacos do bebê com o sonar. Antes ela me preparou, disse que talvez não conseguisse ouvir, por ser bem pequenininho ainda. Mas não. Logo que encostou o aparelhinho, procurou, vieram eles, fortes, ritmados, lindos...muita alegria. Saí do consultório levitando!
Pra fechar a semana maravilhosa, tivemos a ultra. Engraçado que antes eu estava ligeiramente tensa e um pouquinho ansiosa pelo exame, pois coisas graves podem ser diagnosticadas e rola um medinho, né? Mas saí da consulta tão confiante que tinha certeza absoluta que estaria tudo bem, fui pra ultra como quem vai pra confirmar o que já sabe. Daí a importância de um bom pré-natal. Faço uma pausa no relato pra dizer que algumas pessoas que buscam um parto natural e sabem da quase impossibilidade de consegui-lo pelo convênio às vezes preferem pagar o parto e não o pré-natal. Eu discordo radicalmente. Um pré-natal que te coloca medos, no qual o profissional sempre desconfia da sua capacidade de parir, sempre traz pra mulher os riscos, a doença, vai minando seu parto e não adianta pagar a melhor equipe depois que o estrago pode já estar feito. Acho que um bom pré-natal, que te traga confiança e alegria, sem mentiras, com clareza, com explicações reais do que está acontecendo, do que pode acontecer, é fundamental e só assim a mulher pode de fato dizer que ESCOLHEU esta ou aquela opção de parto. Pois escolher cesariana tendo sido alertada pelo médico durante 9 meses de como o parto normal é dolorido, perigoso e ultrapassado, na verdade é uma escolha enviesada, conduzida por outra pessoa, na minha opinião. Mas eu realmente milito e acredito que a mulher tem que ter direito de escolha sobre seu corpo, total e irrestrita e que esse direito é dela e não do marido, do médico, da mãe, etc. Desculpe o intervalo!
Voltando, tivemos então a ultra, onde vimos nossa pessoinha linda, toda cheia de movimentos, pernas, braços, mãozinhas, pezinhos, coluna vertebral, costelas, o que é aquilo gente? Se mexia tanto que deu um trabalhão pra médica medir a tal da TN, o que adoramos, pois ficamos curtindo o bebezinho e babando, né! Mas ao final conseguiu medir e está 1,3 mm, dentro de todos os parâmetros de normalidade, para nossa alegria!
Tirei a primeira foto de barriga, que uso para fechar o texto, no intuito de dividir um pouco dessa emoção e alegria com minhas poucas e queridas leitoras!!!

07/01/2014

A 11a. Semana ou A Sombra



Mesmo atrasadinha, retomo a postagem das semanas de gestação, para não perder o fio da meada!
A 11ª semana foi de sombra. Sombra como diz a Laura Gutman em seu excelente livro A Maternidade e o Encontro com a Própria Sombra. Foi a semana em que eu faria 30 anos e isso mexeu muito comigo.
Não foram os 30 anos que mexeram comigo, não, eu já estava os esperando e os vivendo há algum tempo. Foi a questão da comemoração. Explico: sou daquelas que AMAM aniversário, faz mil comemorações, com todos os grupos de amigos diferentes, conta os dias desde quando faltam 6 meses pra chegar, fala pra todos que a data está chegando, dentre outros excessos comemorativos.
Daí que eu estava sem vontade NENHUMA de comemorar. Não que não houvesse felicidade suficiente ou motivos pra comemorar, mas eu estava vibrando em outra frequência, com vontade do silêncio, da intimidade, do "menos", do reservado. Mas eu comecei a me cobrar muito pois, sendo o último aniversário sem filhos (assim espero!), eu teria como uma obrigação o ato de comemorar, "aproveitar", como tantos dizem, que ainda não tenho um bebê em casa.
E comecei a pensar como será no ano que vem. Como será o bebezinho mais ou menos aos 5 meses (em dezembro de 2014)? Será bonzinho? Poderemos ter uma festinha em casa? Poderemos jantar fora? Eu terei vontade ou possibilidades de sair? Já vai estar próximo da minha volta ao trabalho, como estarei? Enfim, loucuras mil, viajei total e fiquei numa de viver o ano seguinte, sem pensar no que estou vivendo AGORA.
Uma amiga muito querida, com quem divido um trabalho com mulheres que gestam (gestam filhos, gestam gravidezes, gestam adoções - um trabalho muito bonito, modéstia a parte!), me trouxe uma reflexão muito importante, que me ajudou demais a sair desse pensamento.
O que ela me disse foi que gestar é ter em si o futuro. É estar com o futuro dentro da gente, pois sempre se atualiza um plano, um projeto, uma imagem pra aquilo que estamos gestando. Mas que, mesmo assim, é importante não tirar os olhos, os pés e o corpo do presente, senão ficamos aterrorizadas ou encantadas ou tantos outros sentimentos relacionados ao futuro, que esquecemos de nós mesmas hoje, no presente. Não sei se ficou confuso, mas fez todo o sentido para mim.
Não tenho sido uma gestante ansiosa, nervosa, esperando sempre a próxima etapa, não. Tenho conseguido viver uma espera boa, uma coisa de cada vez, com alguma serenidade. Mas a questão do meu aniversário trouxe justamente esta inquietação: comemorar agora, para antecipar uma vontade de comemorar no futuro que pode não ser satisfeita, por ter um bebê nos braços. Totalmente sem sentido, né?
A amiga então sugeriu que eu fizesse sim uma comemoração, já que eu amo comemorar, mas no clima em que eu estava, de reserva e de intimidade. E resolvi, com ajuda dela, comemorar com um piquenique num lugar bem bonito aqui do Rio, o Museu de Arte Moderna. Poucos amigos, comidinha gostosa, estava um clima ameno, tarde nublada. Foi muito bom. Fora isso tive um almoço na casa da minha mãe só com meus pais e irmãos, sem ninguém de fora, no mesmo clima - mais afeto, menos gente, menos confusão.
Foi perfeito, pois não passou em branco e pude ter uma outra experiência de celebração, tão importante quanto, mas menos acelerada, como nunca havia tido antes. E sim, vi que é totalmente possível comemorar de forma agradável com um bebezinho. Fiquei feliz e serena, e a semana se encerrou num clima bem diferente do que começou, com mais tranquilidade e mais um aninho de vida!

27/12/2013

Trintanos

Inspirada pelo texto do Bia, resolvi escrever um também, em homenagem aos meus trinta anos.

Com cinco, lia turma da Mônica. Aprendi a ler.
Detestava ir pra escola, pra quê?

Com dez, lia Fernando Sabino que meu irmão me emprestou.
Já era tia, sabia trocar fralda e amava um serzinho de andar bêbado e cachinhos e bochechas gostosas.
Gostava de brincar de escolinha, passar dever no quadro, apagar.
Foi o presente que mais gostei na minha infância: um quadro-negro e uma caixinha com giz e apagador, dados sem motivo, num belo dia que minha mãe me buscou na escola e ele estava lá, no banco de trás do carro.

Com quinze já tinha minhas melhores amigas, são as mesmas até hoje, com umas 3 exceções.
Excessos e contos de mil e uma noites.
Ouvíamos muito rock e a internet surgia. Bom demais!
All Star e saia hippie, mil truques pro cabelo ficar bonito.

Com vinte já namorava, farreava ainda muito, experimentava a liberdade.
Morar sozinha, metrópole, praia, ônibus 24 horas, que maravilha!
Já podia viajar no ano novo, acampamentos, leituras de esquerda, engajamento.

Com vinte e cinco, envelheci.
Sofri por amor.
Descobri que o mundo é duro.
Diariamente sentia o cheiro do hospício, do presídio, da miséria.
Do esgoto da favela.
Da lindeza da loucura.
Trabalhar muito, dançar mais ainda.
Perdi um grande amigo.
Vi a praia mais linda do mundo.
A vida mudou.
Somos tão frágeis...diante do mar, diante da morte.

Com trinta rejuvenesci.
Quero viver muito, ver meu filho crescer.
Estar com ele nos marcos de cinco, dez, quinze, vinte, trinta anos, o quanto der.
Cuido do que como, do que bebo, do que falo.
Do que penso, ainda não consigo.
Procuro falar a metade, ouvir o dobro.
Involuntariamente, me preocupo o triplo.
Com a cidade, com o futuro, com o dinheiro, com a violência.
Com a assistência à saúde.
Com o que nos encarcera na ignorância de nosso corpo, de nossa potência.
Temo a morte dos que amo.
Valorizo e amo minha mãe a cada dia mais.
Me tornei mãe.
Realizo um sonho.
Amo.
Cada dia mais.

Vem 2014, sopro de vida para todos nós!

18/12/2013

A 10ª Semana ou As mudanças



As mudanças começaram!!! E de um dia para o outro, muito de repente.
Já vinha notando os seios um pouco inchadinhos, como na TPM. Mas de frente para o espelho, notei os mamilos bem mais escuros. Que legal!!! Até pensei que era coisa da minha cabeça, mas o marido confirmou (e minha mãe também na semana seguinte - grávida e exibida rs!). Percebi também que aquelas veias dos seios ficaram mais aparentes, percebo aqueles traços esverdeados bem fortes dos vasos. Muito interessante!
Essas mudanças corporais trouxeram uma reflexão bem forte...o corpo se prepara, todinho, para os processos fisiológicos. Essas mudanças nos seios favorecerão a amamentação. Pra quem nunca leu a respeito, o recém-nascido enxerga pouco, apenas vultos, e o mamilo mais escuro o orienta na hora de abocanhar o seio. Poxa, porque nos esforçamos tanto em negar o que nos é fisiológico? Porque se torna tão difícil amamentar? Vejo tantas inseguranças nas mães em relação ao peso do recém-nascido, curvas, padrões estatísticos que temos que seguir...Sei lá, fiquei pensando que nosso corpo vai fazendo tudo direitinho, a gente é que atrapalha ele!!! A falta de apoio familiar, o estímulo da indústria, o desespero, o cansaço, a sobrecarga da mulher. Não são poucos os entraves e os motivos para desistir da amamentação e longe de mim censurar quem não amamenta, até porque não sei como será comigo, apesar de desejar muito amamentar. Acho que, como em relação ao parto, temos que nos informar muito, conversar com os familiares, prepará-los e nos preparar também para dores e desconfortos, buscar profissionais que nos orientem bem e nos cercar de argumentos para os críticos de plantão, para que o aleitamento materno seja minimamente viável. Não adianta achar que é "natural" e pronto. Finalizo o assunto com a dica do excelente blog: Mamadeira Nunca Mais.
Voltando! No final desta semana, comemorei meu aniversário com a família. Não desejava fazer festa, estava introspectiva e, ao contrário de todos os anos, quis apenas almoçar com meus pais e irmãos. Foi uma delícia. Vi um dos meus irmãos que eu não via desde abril, foi bom demais. Ganhei lindos presentes das minhas irmãs, foi uma delícia, bem como eu queria. Pouca coisa, muito afeto.
Teve o encerramento de uma formação que faço para trabalhar com gestante, onde minha futura parteira é minha professora. Foi bem bonito este fechamento de ciclo também. Entrei no curso tateando o assunto, desejosa de engravidar no final do ano. Terminei já como doula, tendo acompanhado alguns partos na maternidade pública, com duas gestantes para acompanhar no início do ano que vem, e eu mesma uma gestante. Tudo tão diferente!
Fica a sensação de que cada semana é uma mudança, uma novidade...

16/12/2013

Planejado?

Pois é...comecei a falar no último texto sobre os palpiteiros de plantão.
Sinceramente, os palpites alheios não me incomodam.
Na família, entendo como demonstração de carinho e preocupação, mesmo que muitas vezes eu tenha que fazer aquela cara de paisagem básica (geralmente sobre parto, amamentação, etc.). Mas acho que uma gestação é algo que mexe com muitas lembranças e opiniões dos outros e é difícil a pessoa guardar certas coisas para si ao invés de despejar na primeira gestante que encontra. Quando concordo com o comentário, me manifesto. Quando discordo, costumo calar ou pontuar delicadamente algumas coisas...outras eu simplesmente ignoro.
Os estranhos que vem palpitar eu ignoro solenemente sem peso na consciência. Sabe aquele: "ãrram, tá"? Uso sempre, sem medo de ser feliz! Não estou nem aí, mesmo, silencio educadamente! Fila preferencial é o local privilegiado para isso...sempre que falamos: "sou gestante", pronto! Lá vem a enxurrada de palpites e perguntas!!!
Agora, duas coisas me surpreenderam desde que venho lentamente contando da gravidez. A primeira é que logo depois dos "parabéns", vem a pergunta: "já sabe se é menino ou menina?". Eu realmente não imaginei que seria tanta curiosidade assim sobre este assunto! Antes de engravidar, eu e meu marido havíamos combinado de não sabermos o sexo do bebê antes do nascimento. Mas foi só eu engravidar pra mudar de ideia!!! Marido ficou tristinho, mas eu realmente estou muito curiosa e querendo saber para poder organizar melhor as coisas...nome, roupas, etc. Não que eu vá fazer uma ultrassonografia por mês, de jeito algum. Mas quando der para ver, desejo saber. Mas a ansiedade alheia a este respeito me pegou realmente de surpresa! Não pensei que fosse tanta assim!
A segunda pergunta que mais tenho ouvido quando conto que estou grávida é: "foi planejado?". Sério, esta pergunta eu não consigo entender.
Para início de conversa, acho esta informação extremamente íntima para o casal. Se o casal está planejando, pode decidir comentar com alguns amigos mas pode também querer manter reservas sobre a questão. Já temos tantas ansiedades em relação a quanto tempo vai demorar para engravidar, se conseguiremos ou não, tantas cobranças internas, que o mais comum é o casal não comentar com ninguém - ao menos os casais que eu conheço. Sempre que alguém nos perguntava quando iríamos ter filhos, respondíamos: é um projeto para 2014. Não comentamos para quase ninguém que estávamos tentando.
Por outro lado, se o bebê não foi planejado, o que isso importa? Faz realmente alguma diferença para alguém, fora o casal? Alguns casais se desesperam logo que recebem a notícia, mas com o tempo se alegram com a ideia e quando chegam a contar para os familiares e amigos, é porque decidiram levar a gravidez adiante e querem dividir a novidade. Por que lembrá-los deste período que foi descobrir uma gestação não planejada? Vai acrescentar o quê na experiência do casal ou na vida de quem quer saber?
Outros casais não planejaram e recebem a notícia com imensa alegria. Tem também os "sem querer querendo", casais que não planejam ter filhos agora, mas também não estão lá evitando muito. Tem mulheres em idade fértil que tem uma vida sexual ativa e engravidam de algum homem. Tem homens em idade fértil que tem uma vida sexual ativa e engravidam alguma mulher. Há toda uma infinidade de matizes entre as respostas foi planejado ou não foi planejado...que diferença faz?
Os familiares e amigos íntimos certamente sabem se aquela gravidez foi ou não planejada. Os que não sabem, é porque não tem que saber!
O que mais me aborrece nessa pergunta é o machismo e moralismo implícitos. Quando alguma mulher admite: não planejamos a gravidez ou não planejei a gravidez, o mais comum é que ELA seja condenada por isso, nunca o homem. E lá vem mais uma enxurrada de perguntas: mas por que não tomou pílula? Por que não evitou? Engravidou por que quis, fala a verdade? Se o relacionamento não pressupõe que o casal more junto ou seja casado, lá vem mais julgamento ainda! Engravidou para prender o cara, para conseguir pensão, porque já está passando da idade e todos os mais variados julgamentos sexistas, machistas, moralistas e escrotos que existem.
Eu não fui uma filha planejada. Meu marido também não. Crescemos ouvindo todo o tipo de piadinhas, como "filhos da pílula" e por aí vai. Meus pais tinham quase 20 anos de casados e 5 filhos quando eu nasci. E minha mãe sempre ouviu todo o tipo de censura possível, pois teve 6 filhos. Minha sogra ouviu muitos julgamentos por ter tido 3 filhos em um espaço curto de tempo, enquanto estava ainda na faculdade. Tivemos problemas e felicidades como qualquer outra criança, fomos amados, educados, nossos pais erraram e acertaram como todos os outros, independente do planejamento familiar!
Talvez por essa razão eu abomine este tipo de comentário. Acho invasivo e preconceituoso. Me vem à cabeça mil respostinhas atrevidas e desagradáveis quando a ouço...como: "não foi planejado, não, inclusive doaremos para adoção assim que nascer"...e por aí vai.
Mas obviamente, sempre que vou responder, dou um sorrisinho amarelo e digo: "foi sim, estávamos tentando" e me solidarizo com todas as mulheres que não planejaram seus filhos, que não são casadas, que não são monogâmicas, que não são heterossexuais e que não tem uma resposta tão agradável aos ouvidos dos questionadores de plantão sobre sua vida sexual e reprodutiva.
Fico pasma de haver tanta modernidade e liberdade proclamada por aí e ainda se afirmarem tantas caretices, tantas patrulhas dos corpos e vidas alheias por aí!

12/12/2013

A 9ª semana ou A divulgação



A 9ª semana foi muito serena!
O fato de termos visto que está tudo bem com a pessoinha na ultra nos deixou muito tranquilos e radiantes.
Após muitos protestos dos nossos pais, deixamos que eles divulgassem a notícia para a família, pois vimos que seria impossível aguardar as 12 semanas.
A crença que está tudo bem, o otimismo e o desejo de não alimentar maiores temores contribuíram para liberarmos geral e contarmos para mais pessoas. Até então, só os íntimos que estavam sabendo!
Nossa família é imensa, temos dezenas de tios e centenas de primos e a notícia começou a correr!!!!
Contamos também em nossos trabalhos, recebemos tanto carinho que eu nem imaginei que seria tão legal! Muitas alegrias de todos os lados, foi realmente bem bom.
Comecei a sentir a barriga um pouquinho mais dura, algumas calças de cintura alta começaram a apertar.
Os enjoos diminuíram bastante e se reduziram somente à hora de acordar.
Alguns dias acordei com fome, outros um pouco enjoada, mas a sensação de bem-estar passou a ser mais presente do que o oposto.
Uma delícia!
Me percebi um pouquinho mais emotiva, como uma leve TPM, mas só em relação ao choro de emoção mesmo...vendo filmes, propagandas, lendo textos. Nada de irritabilidade como algumas mulheres comentam.
Entretanto, a notícia se espalhando e começam a chegar as histórias, os comentários, as opiniões e os palpites.
Soube que há um bottom inglês, distribuído pelo pessoal do Hypnobirthing, que diz: "Somente histórias de nascimentos felizes". Busquei na internet e ele realmente existe, é esse aqui ó:

Esse bottom é realmente bem útil!!!

10/12/2013

A 8a semana ou O Encontro



A semana do encontro! A semana tão esperada!
Voltei a trabalhar, bastante lenta de manhã e muito bem de tarde. Gosto do meu trabalho, me exige pouco, é flexível, com pessoas bacanas. Foi bom voltar!
A semana se arrastou, pois na 6a feira teria a primeira ultrassonografia.
Até que o dia chegou! Fomos eu e o marido, aquele nervosismo. Nunca havia feito ultra antes na minha vida, não sabia como era, toda nervosa.
A médica foi bem carinhosa, gentil. E quando introduziu a sonda, já apareceu na televisão (uma televisão enorme na parede), aquele formatinho, aquela cabecinha e o corpinho. Nem teve suspense, apareceu na hora.
Que alegria! Indescritível! Ficamos os dois boquiabertos, sem acreditar que era verdade mesmo, que o bebezinho estava ali.
A médica só elogiou, falou que estava super bem implantado, colocou o coraçãozinho para ouvirmos, mostrou ele pulsando. Muita emoção. Todos falam, mas só vivendo mesmo pra ter noção da beleza do momento.
Achei que eu ia chorar, já que me emociono à toa. Mas eu fiquei mais chocada mesmo, nem sei explicar. Achei tão grandioso, tão bonito! Como pode duas células, com metade de componente genético em cada uma, associadas ao amor, gerar isso? Não associadas somente ao amor romântico, mas ao amor que é desejo, que é vontade de estar junto, de compartilhar, que é disponibilidade, que é construção, admiração. Como pode produzir outra pessoinha assim?
Vi minha pessoinha. A pessoinha que fizemos. 2 centímetros. 176 batimentos cardíacos por minuto. De cabecinha pra baixo. Dentro de mim. Senti uma grandiosidade tão grande que não consegui chorar. Foi avassalador demais, não consegui nem falar nada.
Fomos almoçar e havia muitos adolescentes saindo da escola, indo para o mesmo restaurante que a gente. Barulhentos, aquela coisa chata de adolescente. Eu só olhava pra eles com uma ternura imensa...pensava: eles tiveram 2 cm um dia, são amados todo esse tanto que amo meu filhotinho agora. Sério, parecia que eu tinha usado alguma droga!!!!
Foi lindo demais! Gabriel filmou a parte final da ultra, depois que minimamente nos recuperamos do choque inicial e conseguimos clicar em botões do celular pra filmar - no início não conseguimos, os dois atrapalhados.
E sim, é um único feto, nada de gêmeos! E em dezembro teremos outro encontro. Decidimos, junto com a Enfermeira Obstetra, fazer a ultrassonografia de Translucência Nucal. Não é uma ultra super importante porque só traz estatísticas, não diz com certeza se tem ou não alguma síndrome. Mas achamos bom um novo encontro, para as opções de parto que fizemos, para irmos construindo a certeza de que está tudo bem.
Pra fechar a semana, tivemos um casamento e fiquei pasma de ver como meu corpo está em outro ritmo. Fiquei cansada de repente, precisava ir embora...muito diferente. Sinto que o corpo está sintonizado com a serenidade, com o silêncio, com o repouso, com a lentidão. Festa, barulho, música alta, não estava combinando, apesar da festa ter sido maravilhosa, com companhias incríveis, conversas animadas.
Em breve farei aniversário e está difícil conciliar esta sintonia com celebração de alguma espécie...

03/12/2013

Um relato de parto incrível - para espantar o medo (parte II)

Continuando!!!

O Parto
João nasceu dia 9 de março de 2013. Durante o último mês de gestação eu estava trabalhando no turno matutino, mas no dia seguinte (quinta-feira, 7 de março) ao encontro Ishtar sobre imprints pré-natais , estava marcado para eu ir à casa de terapias integrativas do Sofia Feldman, pela manhã. Eu frequentava a casa desde a trigésima quinta semana quando apareceu a insônia e, depois, um travamento na coluna.

Sentada no jardim com a enfermeira Lilia, eu relatava serenamente a recente associação que eu fazia do meu percurso materno com a relação com minha mãe e como sentia que o parto que se aproximava seria um momento importante nesse ciclo.

Cheguei àquele momento da espera que não tinha mais vontade de ler nada sobre o assunto ao mesmo tempo que nada mais me interessava. Não pretendia entrar de licença antes do parto, mas naquela tarde concluí que seria o melhor. Era hora de recolher-me. Ficaria no máximo uma semana a mais no trabalho.

Eu estava na trigésima oitava semana e pensava que João ainda demoraria um pouco para dar o ar da graça, pois não sentia nenhum sinal de que estava por vir e Beatriz, minha filha mais velha, tinha nascido perto das 41 semanas. Mas às 3 horas daquela madrugada (8 de março)senti a primeira contração. Levantei excitada. Perdi o sono. Fui à cozinha, comi algo mais um maracujá para tentar voltar a dormir, pensando ‘se for hoje, preciso poupar forças e descansar enquanto posso’. Consegui deitar e tirar cochilos. As contrações eram espaçadas (não as contei)e para acalmar-me balançava a pélvis, deitada. [A leitura do texto ‘Pariremos con placer’ de Casilda Rodrigañez, foi essencial, despertou-me para uma relação diferente com minha sexualidade e especificamente com meu útero, seu papel no equilíbrio psíquico e corporal e no alívio das tensões. Mais que recomendo a leitura.]

Às 6 da manhã da sexta-feira, 8 de março, meu marido, que dormia no quarto da minha filha com ela, levanta para ir à aula. Comento-lhe das contrações. Ele fica eufórico ao mesmo tempo que tenta se controlar e acreditar que talvez não seja o começo do trabalho de parto. A excitação dele me perturba. Sinto medo que sua adrenalina e ansiedade me atrapalhem (reminiscências da experiência anterior). Digo-lhe que pode ir à aula, pois as contrações ainda são leves e espaçadas e não sabemos se o trabalho de parto vai engrenar. Peço que infle a piscina antes de sair.

Diferente do trabalho de parto anterior em que as contrações se concentravam nas costas, dessa vez se concentram no pé da barriga. Bolsa térmica e a bola de pilates são suficientes para dar alívio. Sento na bola de frente para o computador e abro o Facebook. Não tenho vontade de conversar e graças à rede realmente nem preciso ligar para ninguém, pois estão conectados: Fred, meu colega de trabalho a quem aviso que não irei trabalhar, dizendo que o sulfato ferroso tinha me deixado indisposta e aproveitando para pedir um back up para lhe ajudar na oficina que daríamos na próxima segunda-feira; Polly, minha doula, que me sugeriu deixar a equipe de EOs de sobreaviso e se ofereceu para dar um pulinho aqui na hora do almoço; a EO Miriam que me aconselhou seguir ‘vida normal’ enquanto as contrações estivessem suportáveis; Eliana, amiga de barriga e de busca pelo VBAC a quem contei que estava com algumas contrações, ao que ela respondeu: ‘que emoção’. Eu não estava nem um pouco emocionada. Estava entrando naquele estado de indisposição corporal em que nada de fora importa. Para quem contei, contei, depois não falei com mais ninguém... Aliás, Kenia, amiga de trabalho com quem costumo almoçar, me ligou perto da hora do almoço para saber se eu ia ao trabalho. Atendi, disse que não, e quando ela me disse que tentaria ir ao chá de bênçãos no domingo, eu respondi que não sabia se até lá João já teria nascido.

Comecei, então, a organizar algumas coisinhas em casa, como fazer gelatina e suspender o cortinado da nossa cama. Estava sozinha com minha filha de 2 anos e meio. Durante as contrações, agachava para aliviar a dor. No meio da manhã, ela pediu para mamar novamente. Sentei-a no meu colo, mas durante as contrações queria agachar e quando pedia para ela descer do colo, ela começou a recusar e chorar. Então me dei conta de que não conseguiria tê-la por perto como tinha idealizado no plano de parto. Levei-a, em seguida, à casa da minha mãe, pedindo que ficasse com ela, pois estava com algumas contrações.

Deixei-a lá e voltei para a casa. Consegui tomar água de coco e deitar-me um pouco, usando a bolsa térmica. Voltei para a bola e minha mãe veio me ver. Vocalizava entre as contrações, gutural. E sentia que estava forçando a garganta.

Marcelo me ligou e eu disse que as contrações já estavam bem doloridas. Ele chegou na hora do almoço. Fez um ‘macarrão de doente’ (com um pouco de água, óleo e sal) que consegui comer um pouco. Nas próximas 12 horas só conseguiria comer minicolheradas de gelatina e tomar água.

A essa altura já estava doida que chegasse a Polly. Precisava de um olhar de fora. Cadê ela? Qual seu horário de almoço? Ela deve ter chegado umas 13h. Eu ainda conversava entre as contrações. Perguntei-lhe como deveria respirar, de que forma a vocalização podia ajudar mais. Antes que fosse embora, chamou a Inessa, que me doulou a tarde toda. Marcelo saiu para abastecer a dispensa que estava vazia e quando voltou ocupou-se da logística para encher e aquecer a piscina. Vez ou outra, ele se revezava com a Inessa. Eu me abstraí totalmente de toda a logística necessária para que eu vivesse aquilo ali.

Cada contração era um desafio. Era um caminho que, apesar de avançar, sentia que eu não ganhava know-how. Conto em menos de duas mãos as vezes que lidei de forma tranquila com as contrações, essas foram ou porque vieram suaves ou porque por acertar a soma da respiração, vocalização, posição tive alívio de forma a vivê-las com tranquilidade. Numa mesma contração, eu emitia sons diferentes (ahhhhhhh, uuuuuuu, humm) testando qual deles aliviava aquela contração em específico. Talvez aquela onda me pedia sons diferentes durante o seu movimento até chegar ao pico e começar a ceder. E assim, ela se ia, sem que eu tivesse conquistado a chave para decifrá-la. Se me esquecia de respirar, porém, parecia um cavalo indômito sem rumo. Por isso, me surpreendi muito quando escutei, mais tarde, a Miriam comentando com alguém que eu estava lidando muito bem com as contrações!

Até meados da tarde, tinha dúvidas se daria conta daquele trabalho de parto. Vinha-me o pensamento de entregar os pontos. Temia não dar conta. Putz, precisarei de outra cesárea.Nesse momento da tarde me dei conta de que daria conta de passar pelas contrações. O momento dessa mudança me faz compreender muito bem tantas mulheres que, estando nesse processo, desesperam. Passei, então, a exorcizar o medo, urrando durante as contrações. Estava na cama em quatro apoios, com o tronco sobre uma montanha de travesseiros. Lembro-me da Inessa comentar: ‘essa foi forte, né?’. Não pude responder, mas na verdade, sentia-a igual, eu é que sentia-me mais forte para enfrentá-la.

Enfrentá-la significava resignar-me àquele arrebatamento de dor. Ou talvez o contrário de ser arrebatada, ser chamada à terra. Aliás, durante todo o trabalho de parto sentia muita pressão no ânus e pensava que me faltava evacuar mais vezes, além da que tinha feito pela manhã. A EO Odete falava que podia ser a pressão do bebê. Se tive um fantasma persistente durante o trabalho de parto era esse cocô que eu achava que podia estar emperrando o processo!

Durante a tarde, mudei bastante de posição:
· Sentei na rede e entre as contrações, deitava para trás, apoiada num travesseiro. Era muito confortável e dava para descansar. Mas na hora da contração precisava puxar a rede para inclinar para frente, apertava a rede com as mãos (substituía as apertadas de mãos de outras posições), e precisava receber massagens (como em todas as posições que fiquei). O movimento de ter que levantar as costas me era incômodo porque estava com a pélvis extremamente dolorida (pelo mesmo motivo, não consegui ficar reclinada para trás na piscina, apenas sentada). Também sentia muita pressão embaixo. Sugeri abrir um buraco na rede, como fazem os Tapirapé, mas o rasgo foi aumentando e não me segurava mais (haha, os Tapirapé não cortam a rede, desfazem a trama sob onde se senta).

· Outra posição que gostei muito foi sentar na bola e me dependurar numa cangapresa à grade da janela. Sempre respirando e recebendo massagens na lombar, em todas as posições.

· Também usei bastante o chuveiro, sentada sobre a bola. A água aliviava bastante, mas a localização do ralo me impedia de ficar de costas para receber massagens, sem que eu inundasse o banheiro.

Sentada na rede, vi que a tarde se ia e lembrei que já estava no horário da reunião com a equipe de enfermeiras que atendem parto em casa. Mas elas não costumam ser muito pontuais. Inessa perguntou se queria que ligasse para Miriam. Eu disse que sim. Então, ela volta com a informação de que Miriam já estava no anel rodoviário, que já estava chegando, questão de 40 min. Quarenta minutos! Parecia-me uma eternidade!

Tinha vontade de entrar na piscina, mas tinha dúvida se era um bom momento. Eu achava que quando chegassem, as enfermeiras iam querer fazer uma avaliação do andamento do trabalho de parto, através de um toque. Eu não tinha ideia se meu trabalho de parto ia demorar ou não. Voltei para o chuveiro. Marcelo me disse que a piscina já estava morninha. Fui lá, pus um pé e aquilo era quase gelado para mim. Voltei para o chuveiro. Percebi que intensificavam as estratégias para conseguir aquecer a piscina.

Pelo prontuário, vi que a Miriam chegou às 19h30. Eu tinha acabado de entrar na piscina e não pretendia sair de lá tão cedo. Para meu alívio, ela disse que não fariam exame de toque, a não ser a meu pedido. Acenei com a cabeça, mostrando que tinha entendido.

Por dentro, fiquei pensando se faria ou não. Desde as últimas semanas da gestação, me vinha a curiosidade: será que já tenho alguma dilatação? Naquela altura do tp pensei o que já vinha pensando: se tiver no início da dilatação, vou desesperar; se tiver adiantada, vou achar que não vai demorar, mas tp não é algo linear. Resolvi que a informação mais atrapalharia que ajudaria.

Olhando para trás, aquela piscina era o ambiente que descrevi no prólogo do meu plano de parto (logo abaixo). Eu era aquele mosteiro, cercado de água. Dentro da piscina, fechava os olhos e me esquecia de tudo nos intervalos das contrações. Não me apetecia qualquer conversa trivial, ou mesmo a saudação de quem ia chegando, ao mesmo tempo, tudo era um ruído distante. A água me isolava de tudo, só chegava a ajuda... Quando a contração começava a chegar, reabria os olhos para ter certeza de que não me faltaria uma mão acolhedora para eu apertar e outra para fazer massagem na lombar.

No mundo distante de fora da piscina, Miriam fazia anotações, mexia no celular, colocou músicas do Kundalini Yoga, comentou algo sobre a música e eu assenti com a cabeça. Sua interlocução comigo era suave, com comentários despretensiosos. Durante as contrações soprava meu rosto e aquilo me trazia um alívio, como se me insuflasse o ar.

A essa altura as massagens (apertando as ancas), que no começo da tarde me traziam alívio, já não serviam mais, mas eu era incapaz de explicar isso. Então eu apenas selecionava quem fazia a massagem circular na lombar sem explicar o porquê (no caso Polly e Odete). Por esse motivo berrei, chamando a Odete, enquanto eu retirava bruscamente a mão de outra pessoa.

No final das contrações, tinha vontade de fazer força, como que empurrando para baixo. Mas sentia dor no local da cicatriz da cesárea. Relatei isso a Miriam que me disse com muita tranquilidade ser normal por ser o mesmo local da contração e porque a dor não permanecia aguda no intervalo das contrações. Ao escutar isso, desencanei. Só me acompanhou até o final o fantasma do cocô, haha, que saiu no expulsivo. Depois do parto, comentando com a Miriam de como estava cismada de que meu intestino devia estar emperrando o processo, ela disse: não tem cocô que segure quando o bebê vai nascer!

Continuava dentro da piscina. Miriam perguntou se eu queria fazer xixi e me disse que tem mulher que faz dentro da banheira mesmo. Eu tentei e não consegui. Então tomei coragem para ir ao banheiro (assim aproveitava para tentar evacuar e para esticar as pernas que estavam o tempo todo dobradas na piscina). Sentada no vaso, vejo Beatriz, minha filha, que me oferecia uma amêndoa. Bonitinha! E para agradá-la digo que sim. Então ela me explica que aquela era dela e que ia buscar outra para mim, rsrsrs. Quando ela voltou, eu já não conseguia dar-lhe atenção e nem aceitar a amêndoa para ser gentil.

Do vaso onde deixei só o xixi, entrei no chuveiro. Sentada na bola, durante as contrações, fazia força, pulava na bola, soltava gases e continuava achando que precisava fazer um bom cocô. No intervalo, dormia, deitada com a cabeça no colo da Polly que havia se acomodado dentro do box sob um banquinho. Fiquei aí um bom tempo. E avisei pro Marcelo pra manter a piscina aquecida.

Estava exausta e queria esticar as pernas. Saí do chuveiro e deitei na cama. Fiquei de quatro. Lembro-me da Beatriz ao meu lado. Tinha medo que ela demandasse algo a mim que não estava aguentando nem a mim mesma. Ela não pediu nada. E alguém zelava por ela.

Mesmo sendo desconfortável durante as contrações, deitei-me para descansar. Mais do que nunca precisava de apertar uma mão e de massagens nas costas. Só a Polly estava comigo e pedi que chamasse o Marcelo. Era para fazer massagem. Quando ela se levantou, desesperei. Tinha medo que não voltasse antes da próxima contração. Disse que o gritasse mas que não saísse dali.

Voltei à piscina. Beatriz ainda estava em casa. Isso deve ter feito eu achar que ainda não estava tarde. Pelo prontuário vi que voltei à piscina umas 23h. Em seguida, ela foi embora. Duas horas depois João estaria nascendo.

Marcelo entrou na piscina. Comentou ‘que calor’ e se mexia dentro d’água. Meu baixo ventre estava tão dolorido que aquela pequena vibração da água que batia contra minha barriga era o suficiente para me incomodar. Pedi para que saísse e segurasse minha mão do lado de fora. Realmente aquela piscina tinha se tornado meu espaço vital e sagrado. Sempre que via aquelas cenas de parto com marido segurando a parturiente por trás achava o máximo. Mas minha experiência de uma pessoa que tende tanto à simbiose precisava ser diferente, sentindo bem meus próprios contornos.

Como sentia muita pressão no ânus quando me agachava durante as contrações, sentei-me de lado na piscina e percebi que a pressão diminuía. As contrações mudaram de figura. Já não doíam, apesar de continuar sentindo todo o baixo ventre dolorido.

Comecei a fazer força. Na segunda, senti um ‘ploc’ que parecia a bolsa estourando. Odete perguntou se eu queria colocar o dedo no canal. Pus e senti algo! Fiquei entusiasmada. Pensei: já está baixo! E em seguida, pensei: calma, não quer dizer que está nascendo. Não sei por que, achava que ia demorar ainda. As doulas começaram a arrumar a câmera para filmar e eu que não falava nada soltei: ainda vai demorar, gente. Mas não me fizeram caso, haha. Odete foi chamar a Miriam.

Fazia força e e sentia ardência. Pensei: vai rasgar tudo. Lembrei-me então da enfermeira Jordana (pré-natal) que disse ter pensando o mesmo e não ter tido nenhuma laceração. Então tomei coragem e soltei a força que vinha de dentro. Odete falava ‘devagar’, mas a vontade de fazer força e de ver nascendo me faziam não medir o impulso. Marcelo, que me sustentava pela mão anunciou com entusiasmo, ‘a cabecinha!’.

Deliciosa sensação ‘tatear’ por dentro aquele corpinho passando por mim. Quando saiu o topo da cabeça, eu pensei que fosse a cabeça inteira; quando saiu o ombro, pensei que fosse o tronco, quando passou o tronco, pensei que já tinha saído todo. Quando bateu o pezinho por dentro, levei um susto com aquele peixinho e gritei. Nasceu às 0h54 do dia 9 de março de 2013.

Assim como no nascimento da Beatriz, escutei as lágrimas do Marcelo antes das minhas. Parecia inacreditável: João nasceu. Sentei-me, peguei-o no colo, entregue pela Odete. Tão fofo e tranquilo. Fiquei meio sem jeito para segurá-lo, querendo mantê-lo dentro d’água para aquecê-lo. Mamou. Miriam ajudou com a pega. Já havia esquecido que aquele rostinho pequeno precisava que afastasse um pouco a parte de cima do seio para não tapar-lhe o nariz.

Ao ver que o cordão já não pulsava, preparou-o para ser cortado pelo Marcelo que o fez todo todo, até posando para a foto.

E continuamos ali. Miriam me disse então que já se passara 1 hora. Uma hora! Juro que me pareceu ser 15 minutos. Sugeriu que eu saísse da piscina para o nascimento da placenta e para avaliar o João. Apesar de continuar sentindo cólicas que me faziam balançar as pernas, tinha me esquecido que a história continuava [O nascimento é o fim da história!] e que eu tinha que sair dali em algum momento. Dei um último cheirinho no João antes de entregá-lo a ela. Cheiro i-n-e-s-q-u-e-c-í-v-e-l.

Deitei-me na minha cama. Tive uma pequena laceração no períneo. Odete me avaliou antes da saída da placenta. Pareceu-lhe que não precisava suturar. Passou-se mais uma hora até o nascimento natural na placenta. Aliás, só nasceu depois que João voltou pro meu colinho e mamou novamente. Miriam veio me avaliar e recomendou sutura para uma cicatrização mais rápida, deixando a decisão a minha escolha.

Nesse momento, senti medo que o procedimento fosse dolorido, apesar da anestesia local. Por isso, pedi a minha mãe que segurasse o João e que Marcelo ficasse ao meu lado, segurando minha mão. A sutura, no entanto, foi um momento descontraído entre ‘comadres’. Enquanto a enfermeira costurava os dois pontinhos, conversávamos sobre o que acabara de acontecer, transformando em palavras a experiência daquele nascimento silencioso (tive a visita de dois reis magos que moram no prédio que chegaram lá guiados pela movimentação e urros do expulsivo, de madrugada. Foram recebidos pela janela por algum anjo que estava na sala, mas como João ainda não tinha nascido e esqueceram os presentes, o anjo avisou-lhes que estava tudo bem, mas que ainda não era Jesus, que eles tinham ainda 9 meses para enriquecerem-se com ouro e mirra).

Quando fui levantar para tomar banho, senti que estava fraca. Comi meio sanduíche e tomei água de coco. Polly me acompanhou num banho rápido. Lá comentei com ela: tiro o chapéu para quem vive isso no hospital. Ela me ajudou a vestir-me. Estava ofegante e um pouco tonta com perda de sangue.

Fomos deitar lá pras 6 horas, quando a equipe foi embora. Cochilei 1 hora. As 7h, Odete, que dormia lá em casa, levantou-se para ir para plantão. Eu estava muito eufórica. Fui dormir mesmo só depois do meio-dia.

Ainda falta debruçar-me sobre o que essa história trouxe para minha sexualidade e para a minha individualidade. Cenas dos próximos capítulos.

PLANO DE PARTO – ROBERTA - VBAC DOMOCILIAR
(Texto escrito no encontro 'Cura do não-parto'. O cenário que me veio à mente é do filme “Primavera, verão, outono, inverno e primavera”)
Água. 57% de água. O útero é um local escuro, um lar escuro, à revelia de todas luzes da ciência. Como aquele pequeno mosteiro no meio de um lago, protegido pela água e pela respiração.
Nada nem ninguém chegam a esse lugar protegido de forma invasiva. É preciso se fazer anunciar para ser buscado nas margens. O mistério é escuro e não deve nada a quem se sente ameaçado por ele. Respiração e água protegem e trazem para dentro do lar, lentamente, os convidados.
Os agressivos chegam à margem mas escutam "não" e aprendem a esperar o tempo da paz e a colaborar para que ela seja estabelecida.
Sou água e não há defeito algum na minha imprecisão. Apenas uma intradução. Trago para perto os que ajudam a me lembrar da água e da respiração. Os que ajudam a reencontrar a centralidade e a cuidar do lar e dos que me acompanham. Os que ajudam a me mostrar, a ser-me e a superar-me.
Com a força da terra,
com a leveza da água,
com a inteligência superior da respiração.



Coisa mais linda, né! Para finalizar, o que escrevi para a Roberta, ao ler o relato:
"Querida Roberta,
Seu relato de parto teve um efeito avassalador em mim.
Ainda é difícil colocar em palavras.
Acho que é o primeiro relato que me toca realmente, profundamente, agora que estou grávida.
Li tantos relatos, tantos, antes de engravidar, que agora todos que li já gestando são meio parecidos, me soam sem novidade (sem desmerecer a lindíssima experiência contida em todos eles, por favor!).
Mas o seu não. Te digo por que:
O fantasma da cesariana me assombra. Fantasma esse que nunca me assombrou antes. É minha 1a gestação, não tenho cesárea prévia.
Mas, como você relatou, ao gestarmos atualizamos todos os traumas e tragédias de nossa história. E há muitos anos nenhuma mulher tem seu filho de parto normal em minha família. Esse é o fantasma que se atualiza em mim, agora.
Já sonhei com meu parto, no meu quarto. E esse sonho sempre me tranquilizou, pois o interpreto como uma "visão" do futuro, então sempre soube em mim que, sim, eu vou conseguir parir.
Mas agora, que realmente tem um bebezinho em meu ventre e vou ter que pari-lo em breve, não me sinto tão confiante.
Por isso seu relato foi importantíssimo.
Não mais falarei ou pensarei na possibilidade de não conseguir. Reprogramação mental, já!
Vou trazer pra mim as energias da confiança e da serenidade, inspiradas em seu lindo relato.
Agradeço de coração!
A gente ao escrever não tem dimensão da potência de nossas palavras e nos efeitos que elas produzem no outro. Os efeitos de suas palavras foram extremamente benéficos aqui."

Então é isso, minha gente! Não mais esse papo de medo de cesariana. Eu vou conseguir. Meu bebê nascerá naturalmente, onde e quando decidir, terá uma recepção amorosa, respeitosa, da mesma forma que foi concebido e está sendo gestado. Tudo conspira para isso e nada de deixar o fantasma da desconfiança nos assombrar. Ele foi abolido, espantado pelos ghost busters (alguém aí é dos anos 80???).
Bola pra frente!