
A primeira vez que fui assaltada, eu estava vivendo um momento negro, extremamente deprimida, chateada, aborrecida. No ônibus, ao descer no ponto da Av. Rio Branco, 3 horas da tarde, um rapaz agarra meu braço com muita força e pede meu celular. Diante de minha perplexidade, mostra a arma, escondida no cós da calça. Era grande. A arma, não a calça. Dei o celular. Fiquei uns 20 segundos na escada do ônibus junto com ele, esperando o ônibus abrir a porta, meu celular em seu bolso. Aproveitei e dei o fone de ouvido também, pelo menos usa o troço direito. O celular tinha me custado 10 reais numa promoção da Vivo.
A segunda vez que fui assaltada, eu estava num momento pior ainda. Só pensava em morte e coisas macabras, uma vontade de sumir, desaparecer. Saindo da rodoviária, cheia de bolsas, fila imensa dos taxis credenciados, um rapaz me chama pra ir no taxi dele, cobrava valor de taxímetro. Eu nunca pego taxis, mas neste dia estava com uma nota de 50 reais que ninguém na rodoviária quis trocar. Aproveitei para descansar as costas e trocar o dinheiro, já que o ônibus também não trocaria. Assim que entrei no taxi, no banco de trás, entra um cara super estranho no banco da frente e tranca as portas, enquanto o motorista arraca com o carro. Me diz: vou dar carona pra esse amigo. Tanto motorista como o "amigo" estavam muito nervosos e dirigiam de modo a me apavorar, me fazendo perguntas sobre com quem eu morava e quem me esperava, chegou um ponto em que tive a certeza que aqueles seriam meus últimos momentos, sem exagero. Rezei. Não tenho medo da morte, de verdade. Tenho medo de ficar num taxi com dois homens por sei lá quanto tempo, estando viva. Rezei para que minha mãe se consolasse, para que não me julgassem, dizendo que fui boba, já que ninguém cai no conto do vigário por que quer. Rezei pra eu morresse rápido. Mas eles me deixaram perto da minha casa, claro que não falei onde morava. Me roubaram 100 reais, as 2 notas de 50 que eu tinha. Uma era de presente, pois eu estava muito sem dinheiro na época. Logo vi que eu queria muito viver e que a vida é linda e tratei logo de melhorar meu estado mental.
Atribuía esses acontecimentos ao meu estado de (mau) humor, pensamentos negativos e tal.
Eis que hoje sou assaltada novamente. Dentro da minha casa. Sem arma, sem ameaça.
A Gol Linhas Aéreas acaba de me cobrar 160 reais para cancelar a viagem que eu faria neste final de semana. Com 48 horas de antecedência, eles certamente venderão meu lugar para outro incauto. E ainda levaram meus quase 200 paus pra fazer isso. Não, meu estado mental está excelente, estou feliz e pensando em coisas boas. Talvez por isso o assalto tenho sido menos traumático, não colocou minha vida em risco. Mas aquele rubor, o coração batendo rápido, a raiva e o terrível sentimento de abuso de meu tão pequeno patrimônio estão aqui, do mesmo jeito que das vezes anteriores.
Humpf.
Não haveria título melhor para esses casos!
ResponderExcluirABSURDO mesmo!
O assalto com presença física a gnt se sente ameaçada, etc. Horrivel.
Mas esses constantes assaltos que sofremos todos os dias ao estacionarmos o carro na rua e ter q pagar, mtas vezes, 5-8 reais para não ter q pagar mais caro no conserto depois; os R$9,99 que nunca dão o troco; as taxas de cancelamento; os números desconhecidos na conta do telefone..
Parece q não temos para onde correr.
Revoltante mesmo!
Falando em cancelamento de passagens, eu sempre pago um 'seguro cancelamento', se a passagem for relativamente cara para ter a garantia de q meu dinheiro será (parcialmente, pq já estou pagando o seguro) devolvido. É paradoxal, mas às vezes a gnt sai menos prejudicada nessa selva!
bjooos, querida!
Algo ainda mais absurdo: se você quiser brigar por seus direitos, mais burocracia, mais gastos, mais dor de cabeça. Isso não tá certo!
ResponderExcluirCoisa que me deixa com mais raiva ainda é tentar resolver problemas de cobranças indevidas, taxas que não existem, pelo telefone. Nossa, é papo de estragar o dia. Difícil o exercício de manter o equilíbrio...
Beijos, Lena!!!
Hum... eu não gosto de falar de assaltos. Já contei tantas vezes meus dois causos que me sinto repetitivo até contando pra desconhecidos, imagine vocÊ. Só sei que é uma grande merda.
ResponderExcluirSobre a passagem, bom... é por isso que eu só ando de ônibus!
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Não, não é por isso. Mas já resolve.